Opinião
Publicada em 11/06/2019 - 00h39min

Sem sigilo

Definitivamente os aparelhos celulares e as redes sociais não representam um campo seguro para a troca de informações e de dados. A partir do surgimento da tecnologia digital e do avanço dos meios para controlar cada passo do usuário, ninguém está integralmente isento em suas atitudes. Não há, atualmente, uma forma confiável que garanta a privacidade de conversas e de confidências entre as pessoas.
A revelação das trocas de mensagens de texto entre Sergio Moro, ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e o procurador Deltan Dallagnol, a respeito de procedimentos sobre a investigação da Lava Jato, pelo site The Intercept Brasil, no domingo passado, dá uma demonstração da fragilidade do meio digital. Independentemente da forma como as informações são obtidas, seja por invasão de hackers ou pela exploração de aparelhos roubados, toda conversa pode ser exposta a partir do momento em que tenha entrado para o âmbito do mundo virtual.
Outro caso que escancara a falta de segurança dos meios digitais é o suposto episódio de estupro envolvendo o jogador Neymar e a denunciante Najila Trindade. Para sustentar sua tese de abuso sexual, a modelo utilizou imagens gravadas sem autorização e revelou conversas e mensagens trocadas pelas redes sociais. Da mesma forma, Neymar colocou em evidência outras conversas para tentar provar sua inocência. Mais do que uma disputa nos tribunais, os envolvidos serão julgados pela população - por conta da força incontrolável e independente da mídia digital.
As duas situações possuem motivações completamente distintas e questionáveis, mas revelam uma área delicada de debate. A participação da Imprensa em ambos os fatos também precisa ser avaliada do ponto de vista jornalístico, dentro da linha que separa a informação da especulação em busca de audiência. Mas o fato é que as mídias sociais fugiram do controle e se transformaram em verdadeira terra de ninguém. Assim, o melhor é seguir o princípio jurídico - mais atual do que nunca- segundo o qual tudo o que você disser pode, em algum momento e ao prazer das circunstâncias, ser usado contra você.
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