Opinião
Publicada em 08/06/2019 - 20h24min

Indo para trás

O acidente que matou 18 pessoas no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) completou três anos ontem. As feridas daquele dia ainda permanecem abertas para os moradores do Alto Tietê e para as famílias dos estudantes e do motorista do ônibus. Ao que tudo indica, assim como outras tragédias, aquela parece ser uma noite que nunca irá acabar.
É certo que veículos não foram projetados para matar, mas se forem usados de forma imprudente podem causar estragos irreversíveis. O Brasil, aos poucos, vem reduzindo as mortes no trânsito, mas ainda num ritmo menor do que pede a Organização das Nações Unidades (ONU), que é de reduzir pela metade a quantidade de óbitos causados por acidentes envolvendo veículos automotores. No final de 2011, 43.256 pessoas tinham perdido a vida em razão desses acidentes, ao passo que seis anos depois, no final de 2017, foram 34.263 pessoas mortas nas mesmas circunstâncias, uma diferença de 20,8%. O saldo é positivo, se é que é possível utilizar essa expressão, porém, ainda longe de meta estipulada pela ONU.
Em um futuro não muito distante, o país poderá regredir numericamente, caso a nova proposta do governo federal passe no Congresso Nacional. Os três pontos que mais chamaram a atenção foram o fim da multa para a cadeirinha para crianças, o aumento de 20 para 40 no número de pontos da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para efeitos de suspensão e a ampliação do prazo de renovação das licenças para dirigir, de cinco para dez anos. Os idosos, que possuem um tempo de renovação menor, três anos, também teriam o prazo estendido para a renovação da carteira, para cinco anos.
A ação é temerária porque a ideia é criar mecanismos, sejam eles ligados a educação no trânsito ou novas normas, para que a quantidade de acidentes caia ainda mais, e não que encontrem meios de aumentar as estatísticas, mesmo que não sejam de forma deliberada. O correto seria o Congresso Nacional vetar o projeto de lei que altera essas regras, e não comprar a ideia de que o modelo proposto pelo Executivo nacional trará benefícios para a melhoria no trânsito, porque não vai.
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