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Publicada em 15/05/2019 - 23h38min

Paulo Passos

Gerentão

O presidente da República entendeu por bem, dias atrás, vetar um comercial do Banco do Brasil.
Perguntado sobre a atitude, em outras das pérolas dignas de ser cultivadas, com o português que o caracteriza, retrucou que, da mesma forma que pode designar o chefe daquela instituição, pode interferir naquilo que não se coadune com a sua linha política.
Parece que aqueles que galgam os máximos cargos públicos ainda não entenderam que ali se encontram a serviço do povo, que, em última análise, patrão, os escolheram para representá-lo, por meio de polpudo ressarcimento.
Nesse contexto, não raras vezes, como, infelizmente, tem demonstrado a história recentíssima, dilapidam o erário; usam irregularmente dos transportes públicos; fazem negociatas, etc.
Ao máximo mandatário da nação, obviamente, também se guarda essa lógica: é eleito para gerir a massa, quase que falida, que se chama Brasil.
Dizer que faz e acontece - embora assim de fato pense -, equivale a atroz heresia, eis que deve satisfação à sociedade, de quem, como antecipado, é empregado.
Bem, por isso, no caso atual, a tendência de Bolsonaro à ditatorial censura, e que propiciou a estabanada resposta, não teria razão de ser, se entendesse que a sua conhecida ideologia se quedaria esquecida, não fosse a enormidade de eleitores que, cansados dos modelos atuais, a ela aderiram e o sufragaram.
Em última análise: aquele que se assenta na cadeira presidencial, como servidor, não tem vontade própria, devendo-nos, obrigatoriamente, satisfação de suas atitudes.
Pensar-se de maneira contrária; arvorar-se em todo poderoso, em "patrão acima de qualquer censura", ou, por outro lado, em novo gesto amalucado, proclamar que o país não é "mundo gay", estando aberto, no entanto, aos que quiserem "transar com nossas mulheres", além de indecente, imoral, ultrapassa os limites do mandato que lhe foi repassado.
Absolutamente não é o que se espera do "Gerentão", o "síndico do prédio", que, como tantos outros, pode ser substituído.
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