Opinião
Publicada em 15/05/2019 - 23h38min

Qual é a orientação?

A resposta à divulgação do bloqueio de 30% dos recursos nas universidades e institutos federais, feita em abril pelo Ministério da Educação (MEC), foi dada ontem com a paralisação nacional da Educação. O valor do contingenciado nas universidades é de
R$ 1,7 bilhão, o que representa 3,43% do orçamento completo. Somente no Alto Tietê, são mais de 170 mil alunos em 218 escolas. Em Mogi das Cruzes, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), das 78 escolas estaduais, 23 foram 100% paralisadas. Em Suzano, a adesão foi de 80%. O impacto também foi grande em Itaquá, onde 90% das instituições estaduais e 40% das municipais aderiram ao movimento. As demais cidades também tiveram transtornos com a greve.
Há grandes problemas no ensino nacional, seja nas escolas ou nas universidades. A situação piora quando nos damos conta de que ainda sequer sabemos as propostas do governo para solucionar a questão. Ontem, vimos que o discurso da União continua desajustado, como já ocorreu em outras ocasiões. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o vice, general Hamilton Mourão (PRTB), apresentam discursos diferentes, o que mostra o caminho ainda mal traçado pelo governo. Na questão da greve na Educação, Mourão se utilizou de um tom conciliador em relação às manifestações, dizendo que podem e devem ser feitas dentro de um ambiente democrático, enquanto Bolsonaro adotou um tom mais crítico. Em sua chegada a Dallas, nos Estados Unidos, afirmou que os estudantes em manifestação são "massa de manobra" e "idiotas úteis". "Se você perguntar a fórmula da água, eles não sabem. Não sabem nada", completou Bolsonaro.
Líderes do PSL chegaram a afirmar que o presidente teria dito que mandou suspender os cortes na Educação; a história, porém, foi desmentida depois. Tudo isso aponta para uma falta de sincronia que o Brasil, na situação que está, não tem condições de conceber.
O fato é que a confusão foi armada e a manifestação ocorreu. Além do enorme problema de comunicação, há um ainda pior: o da orientação da política educacional. Qual é a orientação?
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