Opinião
Publicada em 14/05/2019 - 22h50min

Armas legislativas

O decreto assinado na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) flexibilizou o porte de armas para diversas categorias. No total, cerca de 19 milhões de pessoas terão acesso facilitado a armamentos, segundo o Instituto Sou da Paz. Profissionais de Imprensa, agentes penitenciários, caminhoneiros autônomos de cargas e políticos com mandatos eletivos são alguns dos grupos que poderão requerer o porte. O assunto ainda trará muita discussão, uma vez que existe a possibilidade de o Congresso Nacional ou o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubarem o decreto, caso seja considerado inconstitucional.
Enquanto essa discussão permanece no campo das ideias, outra está movimentando algumas Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas Brasil afora: a que possibilita parlamentares entrarem armados no plenário. É importante ressaltar que a grande maioria das câmaras, sejam municipais ou estaduais, proíbe o porte de armas por partes dos legisladores.
No Rio de Janeiro, reduto eleitoral do clã Bolsonaro, é onde este debate está mais aguçado. Na câmara carioca, vereadores já articulam um projeto de lei para mudar o regimento interno da Casa de Leis e permitir que parlamentares andem armados. Na Assembleia Legislativa do Rio já existem nove deputados com porte de armas e mais oito com interesse em obter a licença, segundo um levantamento feito pelo jornal O Globo.
Na atual situação política do país, onde quem defende Bolsonaro é sempre tachado de extrema direita, e quem o critica só pode ser petista, andar armado nas chamadas Casa do Povo pode ser um tiro no pé. Como diz o ditado: "Quem não conhece a própria história está condenado a repeti-la". Em 1963, o então senador Arnon de Mello, pai do ex-presidente e também senador, Fernando Collor de Mello, matou a tiros, dentro do Senado, o colega José Kairala. Porém, o alvo era outro senador, Silvestre Péricles de Góes Monteiro, que também estava armado. Quem morreu foi alguém que nada tinha a ver com a história. Arma e discussão política parece ser uma combinação explosiva e, na dúvida, é melhor evitar.
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