Opinião
Publicada em 14/05/2019 - 00h10min

Afonso Pola

Nossa economia

Já estamos na metade do 5º mês. Vivemos em meio a uma crise econômica que se arrasta desde 2014 e que se somou a uma crise política e institucional. Desde lá acumulamos revés no desempenho da economia.
Quando o povo está sofrendo com as consequências de uma crise, os governantes precisam tomar medidas para reverter o quadro. No entanto, ainda dialogando prioritariamente com a parte de seu eleitorado mais ideológica, o governo tem atuado sobrepondo as pautas de costumes.
Por pressão do mercado, o governo reproduz a ideia de que a reforma da Previdência seria a solução. Não é verdade. O próprio atraso no seu encaminhamento e os indicativos de que vários pontos poderão ser alterados durante a tramitação reduzem as expectativas.
Enquanto isso, as previsões sobre o crescimento estão sendo revisadas para baixo. Para o Banco Itaú, o Brasil vai crescer menos que no ano passado. Apenas 1% contra 1,1% em 2018. E vale lembrar que a projeção no mês de março era de 1,3%. A do PIB para 2020 também caiu. Passou de 2,5% para 2%.
No caso da inflação, por mais que aparentemente a notícia seja boa, o que a motiva não é. A previsão para o final de 2019 está na casa dos 3,6%, patamar abaixo do piso da meta que é de 4,25%.
E por que essa é apenas aparentemente uma boa notícia? É que essa baixa está sendo motivada por indicadores que mostram como nossa economia não se movimenta. Os fatores são: a inercia, a expectativa ancorada e a elevada capacidade ociosa da economia.
O funcionamento da economia é complexo, mas seu entendimento é simples. Para que ocorra o crescimento que possibilita o desenvolvimento, é preciso a combinação de três fatores: consumo, poupança e investimento. E isso precisa acontecer de forma equilibrada, já dizia John Maynard Keynes, importante economista britânico.
Por mais que os controladores do capital tenham a pretensão de serem donos da economia, o que sustenta o capitalismo é o consumo e consumo depende do salário e não do lucro.
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