Esportes
Publicada em 14/05/2019 - 21h50min

Lílian Pereira
Revezamento 4x100

Atletas campeões mundiais são dirigidos por técnico da região

Nascido em Salesópolis, Felipe Siqueira comanda a seleção brasileira de atletismo que conquistou ouro no Japão

Foto: Divulgação

Corredores comemoram a medalha de ouro junto com o técnico Felipe Siqueira
O estádio de Yokohama, no Japão, ficou pequeno no domingo passado para os atletas Rodrigo Nascimento, Derick Silva, Jorge Vides e Paulo André. A equipe masculina de 4x100 metros foi campeã no Mundial de Revezamento, com o tempo de 38 segundos e 5 milésimos, trazendo a medalha de ouro para o Brasil. E uma coincidência: tudo aconteceu no mesmo estádio em que a seleção brasileira de futebol foi pentacampeã na Copa do Mundo de 2002.
Por trás da conquista dos corredores, está o técnico Felipe Siqueira, de 32 anos, que, ainda na infância, iniciou a prática do atletismo na pequena cidade de Salesópolis. Atualmente, ele é treinador da seleção brasileira de atletismo e do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. Siqueira conversou anteontem com a reportagem do Grupo Mogi News de Comunicação, enquanto retornava ao Brasil, e revelou aspectos importantes da carreira e das conquistas.
O resultado no Japão possibilitou a classificação da equipe para o campeonato de revezamento em Doha, no Catar, que acontece no final deste ano, e a brigar por medalha nas Olimpíadas de Tóquio, no ano que vem. "Ficamos 15 dias na cidade de Saitama, onde o time do Brasil vai ficar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, e começamos também a treinar para os Jogos Pan-Americanos, em julho deste ano em Lima, no Peru, tendo a possibilidade de trazer medalhas para o Brasil, já que no Mundial do Japão ganhamos da Jamaica, Estados Unidos e Canadá", contou Siqueira.
Nascer e ser criado em uma cidade como Salesópolis, com pouco mais de 17 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), é sinônimo de orgulho para o treinador, já que foi na cidade que teve o primeiro contato com o atletismo, onde mal sabia que se tornaria sua profissão. "Comecei a fazer atletismo na escola em Salesópolis mesmo e depois fui treinar em Mogi das Cruzes na equipe de atletismo da cidade. O esporte me deu oportunidade de estudar, consegui uma bolsa de estudos em São Paulo e logo que iniciei o curso de Educação Física fui morar na capital", lembrou o treinador.
Siqueira foi em seguida para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde conheceu a esposa, uma atleta olímpica. Com os Jogos Olímpicos de 2016, o casal se mudou para o Rio de Janeiro, onde Siqueira teve a oportunidade de atuar. Mais tarde, ele retornou a São Paulo dando continuidade ao trabalho no Esporte Clube Pinheiros. "São pelo menos 13 anos trabalhando como treinador de atletismo. Tive o prazer de representar o Brasil em cinco campeonatos mundiais, sendo que desses, junto com os atletas, saímos com quatro medalhadas: duas de bronze, uma de prata e agora, no Japão, a primeira de ouro, um marco inédito para nosso país. No ano passado, também participei do Campeonato Mundial Sub-20 com um menino de treina comigo, o Alison Silva", contou.
Orgulho
Sem dúvida, relembrar o início da carreira no atletismo emociona o treinador. Para ele, há um misto de gratidão e orgulho. "Ter a experiência de conhecer outros países e trabalhar com os sonhos dessa molecada é muito bom, ainda mais revelando uma tradição que estava apagada no Brasil. Pensando também como pai, vou contar aos meus filhos que as coisas são possíveis, sair de uma cidade pequena e conseguir alguns feitos", afirmou.
Apesar das dificuldades em meio à caminhada no atletismo, Siqueira garante que ainda é um treinador jovem e quer alcançar outras conquistas. "Consegui abraçar essa oportunidade. No Brasil, é muito difícil trabalhar com um esporte que não seja o futebol. Agora, o que mais quero é chegar em casa e ver meu filho, o Benjamin, de 9 meses. Faz uns 40 dias que estou longe dele", lembrou.
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