Opinião
Publicada em 12/04/2019 - 00h06min

Problemas comuns

A solução de um problema recorrente como o da ocupação da área sob a rede da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (ISA CTEEP), em Jundiapeba, depende da união de forças provenientes de várias frentes. Nesta semana, a possibilidade levantada da concessão de um terreno de propriedade da Suzano Papel e Celulose para abrigar as 550 famílias que moram irregularmente na área da CTEEP trouxe uma nova luz à questão. Mesmo que ainda represente apenas uma proposta, serviu para envolver a iniciativa privada no embate.
O argumento da CTEEP de que o espaço ocupado é de alto risco, pois fica sob as linhas de transmissão e qualquer tipo de acidente pode afetar os moradores, é plenamente correto. Mas não se pode, por conta disso, distribuir ações judiciais para a reintegração de posse da área. É preciso, acima de tudo, oferecer alternativas para as pessoas. E isso não é responsabilidade exclusiva da proprietária do terreno, neste caso, também caracterizada como vítima. O poder público tem a obrigação de intermediar na questão.
O vereador Rodrigo Valverde (PT) tem se empenhado em buscar uma saída para o problema. A prefeitura de Mogi das Cruzes, por sua vez, promoveu um encontro com representantes da CTEEP, no ano passado, em junho, após uma ação de reintegração efetuada pela empresa, na tentativa de garantir uma trégua e evitar outras desapropriações. Também nesta semana, o Sindicato dos Papeleiros declarou apoio aos moradores, participando da criação de uma comissão para negociar com a Suzano Papel e Celulose a oferta de um novo espaço.
Há, sem dúvida, um movimento crescente para se encontrar uma solução, mas ainda estamos bem distantes de encerrar o assunto. Como as ocupações irregulares de áreas também acontecem em outros municípios, motivadas pelo crescimento desordenado em virtude da falta de emprego e renda da população, o momento é de centrar forças e pensar mais seriamente no problema. O caso das famílias que estão morando na área da CTEEP pode, se tiver um final positivo como os acontecimentos estão indicando, servir de exemplo para as outras cidades.
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