Opinião
Publicada em 14/03/2019 - 03h56min

Paulo Passos

Irresponsabilidade

Mais uma tempestade se abateu sobre a capital paulista, levando o caos à combalida metrópole. Outra vez as imagens exibidas pelos meios de comunicações foram as mais desoladoras, e, os depoimentos colhidos, os mais revoltados.
Afinal, aquele que paga as taxas que lhe são exigidas, tem o dever de bradar contra a insensibilidade dos governantes que, sobre tais catástrofes naturais - tão bem conhecidas dos paulistanos - discursam apenas em épocas eleitorais, quando as mentiras na caça do voto são constantes.
Aliás, por falar em irresponsabilidade, embora os prenúncios do desastre já se fizessem presentes - outros pés d'agua derrubando número incontável de árvores e provocando alagamentos sem conta aconteceram seguidamente - dando de ombros para a certa ocorrência, o alcaide de São Paulo optou por licença não remunerada.
Ouvido pela reportagem, após as chiadeiras populares, o seu porta-voz negou-se a dizer para onde viajara, preferindo o jargão cada vez mais ouvido: em época de comunicação eletrônica, o chefe do Executivo, embora não presente fisicamente, o estava de alma, e coordenava as providências necessárias.
A vingar a esfarrapada desculpa, estaremos em vias de ter a figura do prefeito artificial, que governa de longe, invisível, mas mesmo assim eficiente - verdade que a ausência de alguns, inoperantes, sequer seria sentida.
A mostrar que a coisa, ao menos para o momento, não segue a solene escusa, os reclamos renderam, e Covas, mesmo que a contragosto, se viu obrigado a retornar aos afazeres que nunca deveria ter abandonado.
Até quando, se questiona, vai-se bater na mesma tecla? Até quando o povo, mormente o mais carente, vai ser refém das águas que fecham o verão? Até quando os dirigentes se omitirão do cumprimento das promessas de campanha, entendo-as supérfluas e passageiras?
Caráter e responsabilidade deveriam ser os traços fundamentais para aquele que pretende gerir qualquer ente público.
Acorda povo! Valorize sua escolha! Exija o que lhe é de direito!
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