Brasil e mundo
Publicada em 12/03/2019 - 22h40min

Caso completa um ano amanhã

Dois suspeitos pela morte deMarielle são presos no Rio

Prisões do policial reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Elcio Vieira de Queiroz aconteceram durante a madrugada

Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro descarregam documentos apreendidos durante a prisão dos suspeitos
Dois suspeitos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido no dia 14 de março do ano passado, no Rio da Janeiro, foram presos na madrugada de ontem: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, 46. A operação - conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro - que resultou nas prisões foi adiantada em um dia porque a informação vazou e os suspeitos poderiam fugir, segundo informou na tarde de ontem o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Lessa é acusado de atirar contra o carro em que Marielle estava e Queiroz, expulso da corporação em 2015, é apontado como motorista do automóvel Cobalt usado no crime.
Parlamentares do PSOL e a viúva de Marielle pediram que as investigações continuem para descobrir o mandante do crime. A viúva da vereadora Marielle Franco, a ativista Monica Benício, disse que "espera não ter que aguardar mais um ano para saber quem foi o mandante do crime". Ela falou que as prisões dos dois policiais são "um passo importante na investigação, uma etapa fundamental".
Em denúncia entregue à Justiça, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que os dois suspeitos presos demonstraram "abjeto e repugnante desprezo pela vida". Eles foram presos pelos homicídios qualificados da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras da ex-vereadora que também estava no carro emboscado no Rio.
"Os crimes contra as vítimas Fernanda e Anderson foram praticados para assegurar a impunidade do crime perpetrado contra Marielle, demonstrando, assim, abjeto e repugnante desprezo pela vida humana, em atividade típica de 'queima de arquivo'", afirmou a denúncia.
Segundo apuração da polícia, o PM reformado Ronnie Lessa teria feito pesquisas on-line não apenas sobre a rotina da vereadora do PSOL, mas também sobre a de outros políticos da esquerda, como o atual deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e sua família, além de autoridades da área de segurança.
"Ronnie tinha um perfil de ódio a políticos de esquerda", afirmou o delegado Giniton Lages. "Hoje, não sabemos se havia mandantes, se ele agiu sozinho." Segundo o delegado, Lessa fez pesquisas "sobre Marcelo Freixo, sobre a esposa do Freixo, sobre diversas autoridades públicas, o Richard Nunes (então secretário de Segurança durante a intervenção federal no Rio), delegados de polícia".
Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que "é possível" que o assassinato da vereadora Marielle tenha mandantes e que espera que as investigações tenham chegado aos reais executores do crime. Ele destacou que não conhecia a vereadora do Rio de Janeiro e completou: "Eu também estou interessado em saber quem mandou me matar". No ano passado, o presidente foi vítima de atentado durante a campanha eleitoral, de autoria de Adélio Bispo.
 
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