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Publicada em 23/02/2019 - 16h59min

Estadão Conteúdo
Festival de Cinema

Brasil fez bela figura em berlim

Ao todo, 11 produções impactantes que confrontam o Brasil com a sua realidade social e política foram exibidas

Foto: Divulgação

Na edição deste ano, Eliza Catai ganhou o prêmio da Anistia Internacional para o filme "Espero tua (re) revolta"
Com 11 filmes distribuídos por diferentes seções da Berlinale, o Brasil fez bela figura, com filmes fortes, impactantes. De "Marighella", de Wagner Moura, na competição, mas fora de concurso, a "Espero Tua (Re)Volta", de Eliza Catai, que ganhou o prêmio da Anistia Internacional, a seleção contemplou temas, ou um tema, a violência do Estado brasileiro, dirigida preferencialmente contra jovens, negros, pobres.
São filmes que vão confrontar o Brasil com sua realidade social e política. E, quando não é a exclusão, é o sexo. A temática LGBT vem radical, num momento em que a homofobia é respaldada por manifestações oficiais. Greta, de Armando Praça, baseado na peça Greta Garbo, "Quem Diria, Acabou no Irajá", que teve problemas com a censura do regime militar, é um drama de recorte tradicional sobre a solidão urbana. Deve valer a Marco Nanini todos os prêmios de interpretação do ano por sua criação como esse gay desesperado por afeto, que se envolve com um jovem marginal e isso coloca em xeque tudo o que sonhou para sua vida, com base nos romances estrelados pela divina Garbo.
O caso de "A Rosa Azul de Novalis", de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, é mais punk. Com base na busca pela ascendência do poeta alemão Novalis, um homem soropositivo busca um sentido para a sua vida. Se Deus está em toda parte, será provocação que ele o encontre no próprio ânus? A religião que ameaça se apropriar do Estado laico brasileiro é o tema de Gabriel Mascaro no distópico "Divino Amor", que projeta no Brasil de 2027 a realidade atual das igrejas evangélicas cristãs.
Homenagem
Dieter Kosslick, que se despede da direção do Festival de Berlim, fez na abertura do evento uma homenagem a Bruno Ganz. O ator suíço, que fez carreira principalmente no cinema de língua alemã, morreu no início do mês, na cidade em que residia, Zurique. Havia sido diagnosticado com câncer colorretal. A quimioterapia não ajudou. Estava com 77 anos. Kosslick, ao apresentar os prêmios paralelos da Berlinale e anunciar sua morte, foi poético. "O céu esteve encoberto durante o festival, mas hoje (sábado) se abriu e ficou azul, sem nuvens, para que ele pudesse subir. Bruno foi um grande amigo. Vai viver para sempre nas nossas lembranças".
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