Opinião
Publicada em 09/02/2019 - 21h31min

A vez da Saúde

Há um certo quê de discrepância na área da Saúde no Brasil. Por um lado, o setor médico demonstra avanços e sintonia com a modernidade ao aprovar a resolução que define parâmetros para a prática da telemedicina no país. Trata-se de uma visão abrangente do Conselho Federal de Medicina como forma de ampliar a cobertura de atendimento e a realização de diagnósticos a distância por uma equipe médica melhor qualificada, isso sem contar com a possibilidade de agilizar procedimentos e tratamentos no sentido de preservar vidas.
O conceito de "virtual" cai bem nesta situação. As dimensões geográficas do Brasil não contribuem para a presença de profissionais gabaritados em todos os pontos. Com equipamentos simples de transmissão de imagens espalhados nos locais de atendimento, e com funcionários minimamente treinados, é possível efetivar o auxílio ao paciente em cidades distantes com a telemedicina. Regulamentada e respeitada com rigor como lei, a medida traz benefícios incalculáveis para a Saúde.
Na contramão da modernidade, existem problemas primários no setor que ainda não foram solucionados. Ao assumir o Ministério da Saúde no governo Bolsonaro, o ortopedista pediátrico Luiz Henrique Mandetta disse que uma de suas prioridades no cargo seria a implantação de um terceiro turno de atendimento nos postos públicos, para permitir a recepção aos pacientes que têm dificuldade em agendar consultas durante o dia. Na essência, a proposta é elogiável sob o ponto de vista técnico, mas comprova o déficit existente na área. A iniciativa para ser consolidada, entretanto, obrigaria a contratação de mais profissionais, o que aumentaria a já saturada folha de pagamento das instituições.
É uma situação complexa, cuja solução passa, inclusive, por uma mudança cultural da população, que encara a medicina apenas pelo conceito de tratamento e não como ação preventiva. Não há dúvida da boa intenção do ministro e do próprio governo em criar alternativas concretas para melhorar a saúde, mas o desafio em conciliar o contingente físico com a alta tecnologia é grande.
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