Opinião
Publicada em 07/02/2019 - 23h55min

Jornalismo correto

A empresa americana CNN abrirá uma filial no Brasil. Um dos responsáveis pela implantação da rede é o ex-diretor de jornalismo da rede Record, Douglas Tavolaro, que deverá dar aos trabalhos um ar mais brasileiro à companhia americana. Em contrapartida, a Record disse que criará um novo canal de notícias para bater de frente. Quem ganha com isso é toda a população do país que consome notícia diariamente.
A vinda da CNN também deve chacoalhar a Globo, que produz boa parte dos conteúdos noticiosos no país. De carona, empresas da mídia impressa, on-line e radiofônica, que trabalham com jornalismo de qualidade, devem sair ganhando com a chegada de uma companhia de peso.
Isso, sem dúvida, é bom para o jornalismo. O Brasil tem visto, e sofrendo, recentemente com o bombardeamento de notícias falsas, que são passadas sem a menor checagem por redes sociais. Se existe algo pior do que a ignorância é a ilusão do conhecimento. Um jornalismo de qualidade, que deve ser um compromisso de todos os envolvidos com o meio, é o melhor caminho para que a população esteja sempre bem informada.
O fenômeno da falsa informação pôde ser apreciado na última eleição à Presidência da República, em que boa parte dos conteúdos compartilhados era falso. Uma pesquisa realizada pela IDEA Big Data/Avaaz mostrou que 98,2% dos eleitores do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL) foram expostos a notícias falsas. Outros 90% acreditaram que a informação era verdadeira e 83,7% acreditaram na informação de que o ex-candidato ao Planalto, Fernando Haddad (PT) implementou o famigerado "kit gay" nas escolas quando era ministro da Educação.
Informação é um conteúdo valioso. Em mãos erradas, como pudemos ver na campanha eleitoral, pode mudar a história. Por isso que, quando empresas como a CNN resolvem se instalar por aqui, forçando as outras a melhorarem a cobertura, o fato deve ser comemorado. Caso contrário, é só usar a máxima de Joseph Goebbels (1897-1945), ministro da propaganda de Adolf Hitler (1889-1945): uma mentira contada mil vezes se torna verdade.
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