Opinião
Publicada em 07/02/2019 - 23h55min

Felício Kamiyama

Cárcere

No dia 27 de janeiro, no município de Jundiaí, uma jovem de apenas 22 anos, ao visitar seu ex-namorado, preso por roubo e cumprindo pena no centro de detenção provisória da cidade, foi violentamente agredida e morta pelo mesmo. Um tratamento cruel e dissonante para uma pessoa que, mesmo sob fortes críticas, manifestava juras de amor e incondicional apoio ao agressor.
Difícil é entender a mente humana, em especial aquela parte que norteia o comportamento. Penso que a violência é algo inerente à natureza do ser humano, contudo o que o diferencia é o seu controle, intrínseco ou extrínseco. Uma criança, para fazer prevalecer sua vontade perante as demais, defende seu espaço ou seu bem, no caso um doce ou brinquedo, faz uso da força e, por vezes, da violência, o que, ao contrário do que ocorre em algumas famílias, deve ser coibida pelos pais. O entendimento, o respeito, a harmonia e o compartilhamento são as soluções pacíficas que devem ser estimuladas.
Estamos aqui diante de um controle intrínseco. Já o extrínseco nos remete a mecanismos externos, como a polícia e as leis. No caso da jovem morta, matérias jornalísticas indicam que a mãe do ex-namorado preso, ao visitá-lo apresentou-lhe uma foto, na qual a vítima trajava roupas de banho ao lado de outro homem. Foi o que talvez tenha despertado a sua ira. Não poderia ele, alertado pela mãe, aceitar que uma outra pessoa tomasse posse do que era seu, um entendimento equivocado e motivador de diversas tragédias. Mal sabia esse e muito menos a sua mãe que a vítima estava em uma festa familiar e o homem ao seu lado tratava-se de um primo.
Mesmo com o relacionamento rompido, temendo eventuais represálias, a jovem decidiu ir até o presídio e explicar os fatos. Ato esse notadamente equivocado, porém, entendamos, conduzido pelo medo, o que retrata a dura realidade das mulheres que se relacionam com pessoas que decidiram ter o crime como meio de vida. Deslumbradas pela pessoa do criminoso, descobrem um monstro e, temendo por suas vidas, aceitam viver num verdadeiro cárcere.
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