Cidades
Publicada em 11/02/2019 - 22h28min

Nayara Francesco*
audiência pública

Prefeitura de Mogi é cobrada por detalhes em lei de zoneamento

Moradores da Vila Oliveira, contrários a tornar o bairro mais comercial, pediram auxílio de vereadores no caso

Foto: Vitoria Mikaelli/Mogi News

Associação ainda não teve retorno do MP na tentativa de embargar audiência
Integrantes da Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacências (AMVOA) se reuniram ontem pela manhã com os vereadores Caio Cunha (PV) e Fernanda Moreno (PV), com a intenção de solicitar aos parlamentares que cobrem mais detalhes por parte da Prefeitura de Mogi das Cruzes sobre a mudança da lei de zoneamento no bairro - pedido que já havia sido feito pela AMVOA anteriormente.
A maioria da população da Vila Oliveira se mostra contrária à mudança do zoneamento do bairro, que sempre apresentou caráter residencial. A ideia da prefeitura é que alguns comércios possam ser abertos na área, já que a administração municipal defende que o local oferece boa estrutura e localidade propícia para a instalação de mais lojas. Além disso, a descentralização do comércio da região central da cidade seria importante, segundo a prefeitura, para amenizar o trânsito, principalmente em horários de pico, e daria mais opções para a população na hora das compras.
Uma das participantes da reunião de ontem entre representantes da câmara e a AMVOA, a vereadora Fernanda Moreno ressaltou que a discussão entre vereadores e associação envolveu o possível cancelamento da audiência de zoneamento, agendada para o próximo dia 22. 
De fato, a AMVOA já tem uma petição junto ao Ministério Público (MP) em andamento, com a finalidade de embargar essa audiência para que a autarquia tome as providências necessárias no sentido de aprofundar os estudos sobre a proposta de tornar o bairro mais comercial. A AMVOA ainda aguarda parecer do MP.
O vereador Cunha explicou que a apresentação de um estudo detalhado para uma audiência pública faz parte de um rito jurídico e é importante para que as partes se preparem para possíveis mudanças. "O questionamento é sobre o que, de fato, será discutido, pois, não foi detalhado", concluiu. O vereador disse, ainda que, por falta de informações minuciosas, ele não possui uma opinião sobre qual seria a melhor decisão para o futuro do bairro. "Fica difícil ser contra ou a favor à proposta de abrir espaço para mais comércio na Vila Oliveira com os poucos detalhes apresentados até aqui. Ainda não tenho um posicionamento", comentou.
O parlamentar informou que o pedido dos integrantes da associação presentes na reunião para que Cunha e a vereadora Fernanda Moreno cobrem detalhes da prefeitura serão atendidos. "Nos comprometemos a cobrar da prefeitura mais detalhes sobre quais pontos serão tratados nesta audiência (dia dia 22 de fevereiro)", prosseguiu. 
*Texto sob supervisão do editor.

AMVOA quer manter caráter residencial

"O bairro Vila Oliveira não está preparado para receber um grande fluxo comercial". A (re) afirmação é do diretor de Assuntos Institucionais da Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacências (AMVOA), Paulo Ernani Bergamo, de 57 anos

"O bairro Vila Oliveira não está preparado para receber um grande fluxo comercial". A (re) afirmação é do diretor de Assuntos Institucionais da Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacências (AMVOA), Paulo Ernani Bergamo, de 57 anos. As alterações na lei incluem a liberação de construção de prédios e implantação de comércios em qualquer local do bairro.
Mesmo sem uma alteração na lei, o diretor da associação, Jorge Tripode, observou que na Vila Oliveira há vários terrenos sendo preparados para construções comerciais. "Alguns até com faixa informando que há projeto aprovado para construção comercial, no miolo da Vila Oliveira, onde o zoneamento sempre foi residencial. Até uma igreja disfarçada de ONG foi instalada no coração da Vila Oliveira, o que não é permitido", lamentou. (N.F.)
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