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Publicada em 08/02/2019 - 22h02min

Estadão Conteúdo
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Área do incêndio era indicada como um 'estacionamento'

Fogo que acabou matando dez jovens, e deixando outros três feridos, ocorreu durante a madrugada de ontem

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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A área onde ficava o alojamento que pegou fogo na madrugada de ontem e deixou dez mortos e três pessoas feridas, uma delas em estado grave, no Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, estava descrita como "estacionamento", de acordo com a Prefeitura do Rio.
"A área de alojamento atingida pelo incêndio, não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, em 05/04/18, como edificada", diz trecho da nota. Ou seja, na prática, o clube não tinha permissão do município para manter o alojamento naquele espaço. "No projeto protocolado, a área está descrita como um estacionamento", afirmou a prefeitura.
A nova licença tem validade até 8 de março e, segundo o município, "não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios". "Por determinação da legislação em vigor, a coordenação de licenciamento informa que só há inspeção neste tipo de edificação em casos de denúncia", diz outro trecho da nota. A prefeitura informou ainda que "vai determinar a abertura de um processo de investigação para apurar as responsabilidades".
O Ninho do Urubu não estava com a documentação regularizada junto ao Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, o local não possuía o Certificado de Aprovação (CA), documento que atesta que a instalação está de acordo com a legislação vigente no que diz respeito a dispositivos contra incêndio.
A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros Militares do Rio de Janeiro (CBMERJ), que ressaltou, contudo, que isso não significa que o CT não fosse seguro. "Importante esclarecer que a não existência do CA não significa, por si só, que o local não possuía os dispositivos, e sim que não era aprovado pelo CBMERJ", ressaltou a corporação.
Os bombeiros informaram ainda que o CA "não se trata de alvará de funcionamento (documento exigido para estabelecimentos comerciais) ou habite-se (para imóveis residenciais). Esses documentos são emitidos pela prefeitura", mas que o documento faz parte de um processo de legalização de edificações que envolve outros órgãos. 

Meninos eram da base

O médico do elenco profissional do Flamengo, João Marcelo Amorim, disse ontem que as dez vítimas fatais do incêndio no alojamento das categorias de base do clube são todos jogadores

O médico do elenco profissional do Flamengo, João Marcelo Amorim, disse ontem que as dez vítimas fatais do incêndio no alojamento das categorias de base do clube são todos jogadores. Até o fim da tarde desta sexta-feira, o Instituto Médico Legal (IML) havia identificado oito dos dez corpos, embora já se tenha informação da lista completa das vítimas. Restavam, portanto, confirmar a identidade de outros dois.
Amorim conversou com o jornalistas ao chegar à sede do IML junto com o psicólogo do clube, Alberto Filgueiras. Os dois foram ao local para dar suporte aos familiares. "O Flamengo está dando todo suporte na parte psicológica e médica aos familiares. A informação que eu tenho é que não se tem funcionários entre as vítimas. Não sei detalhes do andamento sobre a identificação", explicou.
Junto com o médico e o psicólogo, chegou ao IML um funcionário do órgão carregando uma pasta. Dentro dela, havia carteira de identidades, documentos e informações médicas para auxiliar na identificação. Os corpos começaram a deixar o Ninho do Urubu, local do incêndio, sendo levados ao IML por volta do meio-dia. Três veículos foram utilizados no transporte. (E.C.)

Confira os dez nomes das vítimas (quadrinho da retranca)

Arthur Vinícius de Freitas, 14 anos
Bernardo Pissetta, 14 anos
Christian Esmerio, 15 anos
Jorge Eduardo Santos, 15 anos
Pablo Henrique da Silva, 14 anos
Vitor Isaias, 14 anos
Samuel Thomas Rosa, 15 anos
Athila Paixão, 15 anos
Gedson Santos, 14 anos
Rykelmo de Souza Viana, 17 anos
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