Opinião
Publicada em 09/01/2019 - 00h15min

Na frente dos bois

Nem bem esquentou a cadeira de presidente da República e Jair Bolsonaro (PSL) já pretende editar para a semana que vem o decreto de posse de armas de fogo para cidadãos sem antecedentes criminais. A informação foi passada ontem pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, durante coletiva de Imprensa. O próprio braço direito de Bolsonaro, que foi acionado para explicar diversas falas do chefe, comemorou dizendo que "promessa feita é promessa cumprida".
Vale destacar que o governo pretende liberar a posse de armas de fogo e não o porte, sendo que o cidadão brasileiro não precisa nem comprovar a necessidade de ter um artefato em casa. A medida parece se revelar um tiro no pé, ou numa expressão menos violenta, é o mesmo que colocar a carroça na frente dos bois.
Editando esse decreto, o governo atesta a falência do sistema de segurança brasileiro e coloca nas mãos do cidadão comum parte da responsabilidade sobre o combate ao crime. Se fosse em países onde a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes não chega a 0,90, como Áustria, Japão e Coreia do Sul, países com sólido setor educacional, a medida poderia ser melhor discutida, mas no Brasil, onde a taxa chega a 26,7 assassinatos para cada 100 mil pessoas, parece não ser a melhor saída.
Nos Estados Unidos, por exemplo, país com baixa restrição de armas, a taxa de homicídios é de 4,88 para cada 100 mil habitantes, muito menor do que a brasileira. Agora, transportando isso para um país que ainda carece de estruturas básicas como Educação, Saúde e Trabalho, o resultado pode ser catastrófico. Pode haver exceções, como propriedades distantes, por exemplo, em que as forças policiais demoram a chegar, porém liberar de forma geral parece não ser a melhor coisa a se fazer.
Mesmo que seja promessa, que tenha sido eleito com base nessa proposta, o novo governo deve se preocupar, em primeiro lugar, a tratar de fazer o país crescer novamente, fomentando a criação de emprego, trabalhando na infraestrutura e, por que não, melhorar e aparelhar as forças de segurança.
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