Opinião
Publicada em 05/12/2018 - 22h40min

A volta da fome

A fome, assombração que já imaginávamos estar superada no Brasil, volta a ameaçar. Segundo relatórios de organizações da sociedade civil, a extrema pobreza cresceu no país, com índices que atingem patamares de 12 anos atrás. Entre 2016 e 2017, o número de cidadãos que vive com menos de R$ 140 por mês saltou de 13 milhões para mais de 15 milhões - crescimento de 13%, sendo a maioria negros e pardos. Apenas no Nordeste, 44% vivem na pobreza.
Tivemos, a partir de 2015, uma estabilização no número de pessoas que convive com a pobreza ou pobreza extrema, porém, a partir daí, houve uma rápida aceleração nesses índices. Desde o ano passado já se advertia que o Brasil poderia estar se encaminhando para entrar no Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU); agora, de fato, não resta dúvida de que devemos ser mesmo mapeados.
Certamente, o fator mais importante para o crescimento da pobreza no Brasil foi a recessão econômica que o país enfrentou nos últimos anos. Foram mais de 2,3 milhões de postos de trabalho fechados apenas nos últimos dois anos. Assim, sem emprego, quem era pobre ficou ainda mais e, muitos que não eram, ficaram. O congelamento nos investimentos federais também foi uma das principais causas para a volta dessa assombração.
A falta de oportunidade no mercado de trabalho leva à pobreza, e a pobreza, à fome. Como sobreviver sem assistência alguma, sendo que muitas dessas famílias têm mais de três filhos para cuidar com a renda de um salário mínimo? É inimaginável, mas essas pessoas vivem sem as necessidades mais básicas que uma vida digna merece.
Diante desse atual quadro alarmante, é preciso, além de ações por parte do futuro presidente da República, que a própria iniciativa privada se una e contribua para a mudança desse cenário. A desigualdade é natural e existe em todos os lugares, até mesmo nos países mais ricos. O problema, como no caso do Brasil, é quando o abismo entre o rico e o pobre é gigantesco, ao ponto de faltar comida na mesa de grande parte da população.
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