Opinião
Publicada em 08/11/2018 - 23h29min

Escola sem delírio

Uma das principais discussões atuais sobre a formação dos alunos dentro das instituições de ensino gira em torno do projeto de lei Escola sem Partido que, resumidamente, obriga os professores a não falarem sobre política. Para o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a doutrinação política e ideológica em sala de aula "ofende a liberdade de consciência do estudante". Ainda segundo a cartilha da Escola sem Partido, "professores de todos os níveis vêm utilizando o tempo de suas aulas para fazer a cabeça dos alunos sobre questões de natureza político-partidária, ideológica e moral".
Ou seja, o objetivo é o de educar os educadores sobre os limites éticos e jurídicos da sua liberdade de ensinar. Já para parte dos professores, para não dizer a maioria, ou quase sua totalidade, Escola sem Partido é sinônimo de ditadura militar. Sem nenhum medo, é possível dizer que faz sentido.
Se o objetivo dos educadores é massificar o comunismo, é válido lembrar que não estão sendo eficientes, porque não vemos muitos jovens saindo das escolas a fim de reformar o país. O que eles querem é ser consumidores.
Precisamos de uma estrutura educacional que possibilite uma experiencia plural do aluno. A Escola sem Partido não incentiva à leitura e ao estudo. Não é apenas em casa onde a criança ou adolescente deve ser formado. É também na escola, onde se deve apresentar todos os aspectos do assunto, para que ai sim, ele tome um partido. É na instituição de ensino onde as dúvidas e inquietudes devem surgir. Se o assunto é ditadura, é preciso que ouçam um legítimo representante do regime. Em seguida, é preciso que ouçam também alguém contrário à ideia. Nessa fase da vida, os estudantes precisam ouvir de tudo, para que tenham argumentação futura.
Outro caso é em relação ao gênero: o estudante precisa ouvir o pastor, que certamente irá afirmar que trata-se de uma questão de ideologia, mas também precisa entender o homossexual, lésbica ou travesti, muitas vezes tratados como aberrações.
Não se forma ninguém com escolas sem partidos, mas sim, com escolas sem delírio, ou seja, escolas plurais.

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