Opinião
Publicada em 08/11/2018 - 23h31min

Felício Kamiyama

Decisões erradas

"Pra ser sincero, não espero que você me perdoe, por ter perdido a calma, por ter vendido a alma ao diabo. Um dia desse, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação. Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez eu diga: Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la! Até mais!" Trata-se de um trecho da música "Pra Ser Sincero", da banda Engenheiros do Havaii.
Há quase duas semanas, Rayane Paulino Alves, uma jovem de 16 anos e moradora de Mogi das Cruzes, era conduzida pelo pai até a casa de duas amigas para irem a uma festa em um sítio localizado num bairro rural. Foi a última vez que o pai esteve com a filha. Segundo as amigas, Rayane, após ingerir bebida alcoólica, passou mal e posteriormente retirou-se sozinha do local, passando a caminhar pela estrada num sentido contrário a de casa. Desorientada, foi auxiliada por um motorista de aplicativo, o qual a levou até o terminal rodoviário de Guararema, um lugar iluminado e aparentemente seguro.
Lá, Michel Flor da Silva, 28, um segurança do local, casado e pai, já no término de seu turno de serviço, observando a fragilidade em que se encontrava Rayane, ao invés de acionar uma ambulância ou até o policiamento, prevendo, talvez que algum mal poderia ser feito com ela, decidiu aproveitar-se sexualmente da jovem, a qual, naquele momento, necessitava de um aperto de mão amiga.
Temendo, talvez, a responsabilidade do grave erro cometido, adotou uma segunda decisão errada e procurando sumir com as provas, tirou a vida de Rayane, lançando seu frágil corpo num terreno às margens de uma estrada. Foi rapidamente identificado e, no tempo certo, preso.
Arrependimento, para aqueles isentos de patologia, é o sentimento que se aflora, desejando que o fato nunca tivesse acontecido. Que tivesse, naquele momento, diante das opções surgidas, decidido pela mais correta, a de estender a mão amiga, pois, devemos sempre entender que não existem crimes perfeitos. Todos deixam suspeitos!
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