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Publicada em 27/10/2018 - 23h19min

Estadão Conteúdo
Canal Viva

linhagem do humor

Especialista no assunto, Ingrid Guimarães lança a série "Viver do Riso", que busca as raízes desse gênero que alegra o público

Foto: Divulgação

Atriz passou meses entrevistando humoristas, desde os mais veteranos como Renato Aragão, Carlos Alberto de Nóbrega e Ema D'Ávila até nomes da novíssima geração como Tatá Werneck, Gregório Duvivier e Fabio Porchat
Ingrid Guimarães é uma especialista do humor. Afinal, quatro de suas comédias estão entre os filmes mais vistos no País entre 2000 e 2017 e suas participações em programas de TV são antológicas. Não satisfeita em apenas atuar, ela decidiu buscar as raízes desse gênero a partir do depoimento de colegas de profissão, representantes de gerações diversas. O resultado é a série "Viver do Riso", que estreou ontem no canal Viva, às 19h15. 
Ao todo, são dez episódios semanais, dirigidos por Tatiana Issa, Raphael Alvarez e Guto Barra e nos quais Ingrid não apenas arranca gargalhadas como consegue confissões de mais de 90 artistas que, em conversas intimistas, falam com franqueza sobre os efeitos do humor no Brasil.
"A série traça mais do que uma linha do tempo, ou um retrato cronológico do humor", comenta a atriz. "Ela mostra as diversas variações do gênero e como cada humorista encontrou seu caminho, ou foi encontrado por ele. E um dos temas que mais me interessou nesse documentário foi o papel da mulher na comédia", acrescenta Ingrid. 
A atriz passou meses entrevistando outros humoristas, desde os mais veteranos como Renato Aragão (primeira conversa a ser gravada, em fevereiro), Carlos Alberto de Nóbrega e Ema D'Ávila até nomes da novíssima geração como Tatá Werneck, Gregório Duvivier e Fabio Porchat. Ela conseguiu ainda um dos derradeiros depoimentos de Agildo Ribeiro, que morreu em abril. O último humorista a contar suas infinitas histórias foi Jô Soares, com quem Ingrid conversou em setembro.
Mulheres. O riso habitualmente provoca um sentimento de alívio e catarse, mas piadas e textos humorísticos servem também como caminho de acesso ao inconsciente coletivo de uma sociedade. É o que se observa no primeiro episódio da série, que investiga a participação da mulher na história do humor brasileiro, especialmente o da televisão. E o que se nota é que só recentemente a participação feminina tem sido mais expressiva. 
"Antes dos anos 2000, a mulher no humor fazia quase sempre o papel da boazuda e, se possível, tinha de ficar quieta", atesta Marisa Orth. "Por isso, a presença da mulher ocupa menos espaço na importância do humor, já que os homens sempre dominaram", completa Fábio Porchat.
Em um dos testemunhos, Maurício Sherman, que cruzou gerações dirigindo programas engraçados, além de ter comandado espetáculos do Teatro de Revista, afirma: "Naquele tempo, não era de bom tom as moças rirem -
elas eram criadas como virgens recatadas que não podiam nem gargalhar: riam com as bocas fechadas". Politicamente correto. No Brasil, isso revela características que as pessoas procuram esconder. "O humor reflete o caráter da sociedade", comenta Gregório Duvivier. Uma rara exceção foi Dercy Gonçalves, que usava uma linguagem rasteira para se impor.
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