Opinião
Publicada em 08/10/2018 - 23h49min

A urna pune

Após o encerramento das apurações e o reajuste da proporcionalidade pelo número de votos por partidos políticos, o Alto Tietê fechou a conta com nove candidatos eleitos para o Legislativo, sendo quatro para a Assembleia paulista e cinco para a Câmara Federal. Comparado com a eleição de 2014, tivemos o crescimento de um parlamentar e chegamos quase à média de um representante por cidade. O resultado, se não era o mais aguardado, principalmente pelos pretendentes, não deixa de ser positivo. A bancada regional aumentou, o que por si só já é animador.
Entretanto, alguns apontamentos devem ser feitos a partir da dança das cadeiras, que trouxe novos deputados e manteve outros no cargo. Duas surpresas podem ser destacadas. A policial Katia Sastre (PR), aquela que reagiu e matou com um tiro um bandido durante um assalto na véspera do Dia das Mães, em Suzano, obteve 164 mil votos e foi eleita para atuar em Brasília. Também iniciante na política, o desconhecido Rodrigo Gambale (PSL) elegeu-se com quase 87 mil votos numa campanha quase toda feita nas mídias sociais. Ambos, aparentemente, são efeitos do discurso e linha de pensamento mais radical do fenômeno Jair Bolsonaro (PSL), líder na disputa presidencial.
Já o ex-prefeito de Suzano, Estevam Galvão (DEM), por exemplo, conseguiu o sexto mandato como estadual, enquanto Luiz Carlos Gondim (PTB), de Mogi, não alcançou a sexta reeleição esperada. De forma prática, pode-se dizer que o eleitorado aprovou um e reprovou o outro. Não é bem assim. Uma reeleição depende de uma série de fatores conjugados, como atuação e coligação partidária.
A expressiva votação de Marco Bertaiolli (PSD), ex-prefeito de Mogi, com mais de cem mil votos no Alto Tietê, que o levou ao primeiro mandato como deputado federal, ao passo que cerca de apenas 20 mil votos para o já deputado Junji Abe (MDB), também ex-chefe do Executivo mogiano, comprovam que as urnas possuem critérios próprios. A bem da verdade, não há muita lógica. Parodiando a clássica frase futebolística do ex-técnico Muricy Ramalho de que a bola pune, na política, a urna também pune.
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