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Publicada em 29/09/2018 - 17h08min

Estadão Conteúdo
Prêmio Grande Otelo

a grande dama do cinema brasileiro

Fernanda Montenegro foi a homenageada na festa da Academia Brasileira de Cinema

Só mesmo uma Fernanda Montenegro. Grande homenageada na festa da Academia Brasileira de Cinema que outorgou os prêmios Grande Otelo na noite do dia 18 de setembro, Fernanda terminou sendo, no fundo como se esperava, a cereja do bolo. Três importantes produtores e/ou diretores, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues e Zelito Viana, subiram ao palco do Palácio das Artes, na Barra, para lhe entregar o prêmio. Discursaram, fizeram bonito, mas Barretão matou a charada - "Diante de você, Fernanda, me ajoelho e calo". E ajoelhou-se. Antes do trio, quem chamou a atriz ao palco foi o garotinho de "Central do Brasil", de Walter Salles. Precedido pelas imagens do filme, Vinicius de Oliveira, agora um homem, curvou-se perante a mítica Dora. Josué! 
Ela pediu licença a Vinicius para contar sua história. Como ele era um engraxate e foi pedir a Walter Salles, sem saber quem era, que lhe pagasse um café. Ganhou um papel num dos grandes filmes brasileiros. Só Fernanda para dividir a homenagem que era dela com Vinicius. Valeu a noite. A festa começou com duplo atraso, e o presidente da Academia, Jorge Peregrino, como político em campanha, prometeu colocar todo o seu empenho para que a premiação do ano que vem ocorra no primeiro semestre. Assim como está, em setembro, fica muito distante para premiar os melhores de 2017. Foram premiadas 29 categorias, mais o troféu para Fernanda.
O mantra da festa, repetido ao longo da cerimônia, foi a frase "Ele, não". O repúdio à candidatura de Jair Bolsonaro foi unânime pela classe artística. Vladimir Brichta, premiado como melhor ator - por "Bingo, o Rei das Manhã' - comandou o coro. "Nem Bingo nem Bozo. Bolso...". E a plateia respondeu: "Nãããoooo! Nunca!" Bingo, de Daniel Rezende, concorria em 15 categorias. Venceu em oito, incluindo melhor longa de ficção e melhor filme pelo júri popular, e melhor ator (Brichta) e melhor coadjuvante (Augusto Madeira). Em número de indicações vinham depois "A Glória e a Graça", de Flávio Tambellini, e "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky, cada um com dez. O primeiro ficou com três prêmios - melhor roteiro, fotografia e atriz coadjuvante, Sandra Corveloni. O segundo com dois, melhor direção e melhor atriz, Maria Ribeiro.
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