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Publicada em 09/06/2018 - 21h07min

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"Teu Mundo não Cabe nos Meus Olhos"

Celulari dá vida a um pizzaiolo cego

Nos cinemas, Edson Celulari entra em cena no papel de um pizzaiolo do Bixiga, casado com uma argentina descendente da aristocracia ruralista, interpretada por Soledad Villamil

Foto: Divulgação

Edson Celulari faz um cego que não quer enxergar; a mulher, a filha, o cara que trabalha com ele os exortam a se operar, até que um incidente o faz passar pela cirurgia
Paulo Nascimento é um cineasta gaúcho autor de uma obra irregular, por certo, mas que nem por isso deixa de ser interessante. "Diário de Um Novo Mundo", "Valsa para Bruno Stein", "Em Teu Nome", "A Oeste do Fim do Mundo" são filmes divididos - entre duas culturas, diferentes nacionalidades. Nascimento flerta com um cinema continental, às vezes trans. O diretor está de volta com "Teu Mundo não Cabe nos Meus Olhos". Edson Celulari faz um pizzaiolo cego do Bixiga. É casado com uma argentina descendente da aristocracia ruralista. O papel é interpretado por Soledad Villamil.
Soledad é uma atriz e cantora, argentina como sua personagem. Trabalhou nos filmes de Juan José Campanella, formando dupla com Ricardo Darín em "O Mesmo Amor a Mesma Chuva" e "O Segredo dos Seus Olhos". Em agosto passado, recebeu em Gramado o Kikito de Cristal, prêmio outorgado a uma personalidade do cinema latino-americano. O prêmio surgiu com um perfil rigoroso, destacando pensadores do cinema.
"Em Teu Mundo não Cabe nos Meus Olhos", Soledad abre mão de muita coisa para ficar com o marido cego. Ele ganha fama, a pizzaria cria clientela. O pizzaiolo que, privado da visão, vê o interior da pizza - a massa - como se estivesse tentando decifrar o interior das pessoas. O filme nasceu do entusiasmo da coprodutora de Nascimento, que um dia chegou para ele contando o que parecia uma história extraordinária. O desenvolvimento científico e tecnológico criou ferramentas para que cegos de nascença façam cirurgias de recuperação, mas muitos não resistem à pressão de, ou para voltar a ver, e fazem cirurgias de reversão. Preferem ficar cegos. Édson Celulari faz esse cego que não quer enxergar. A mulher, a filha, o cara que trabalha com ele, de certa forma sendo a sua muleta, todos os exortam a se operar. Ocorre um incidente na pizzaria e ele aceita a cirurgia.
Passa por uma verdadeira provação. Diante da massa, ou do forno, cerra os olhos. Não quer ver. Há anos Celulari vem sendo parceiro de Nascimento. Ele lhe fez a proposta (indecente?) -
"Topa engordar 20 quilos para fazer um cego?". Duplo desafio. Celulari mordeu a isca. "Não sabia como interpretar um cego. Mas aí, pesquisando, eu vi um vídeo de duas meninas orientais. Tem gente que não quer ver, mas elas eram muito jovens. Dava para sentir o deslumbramento da descoberta da luz. Serviram de guia para mim". E havia, claro, o drama - essa divisão interna que sempre atinge os personagens de Nascimento. "Não era só uma postura, uma atitude. Tinha a motivação, ou falta de, interior. Isso me motivou muito".
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