Opinião
Publicada em 14/06/2018 - 00h50min

O Brasil que eu quero

A Copa do Mundo começa hoje e, como de costume, mexe tanto com a rotina dos apaixonados por futebol quanto com a daqueles que a ignora. Mas, é nítido que a maior competição de futebol do mundo já não tem o mesmo encanto de outros tempos, e isso não é de hoje.
Primeiramente porque o brasileiro já percebeu que não vale a pena guardar todo seu entusiasmo para o futebol. A magia, de certa forma, acabou, principalmente para os mais velhos, que têm na memória os tempos de um futebol mais romântico, quando os jogadores emanavam paixão pelo seu clube e pela seleção. Sim, eram tempos em que os atletas não se vestiam e nem se comportavam como pop stars. Tinham cara e jeito de brasileiro. Também não ganhavam caminhões de dinheiro, nem passavam pelo terrível media training, que substituiu o coração do atleta por um chip. De suas bocas só sai o que é programado. O sentimento era real por parte desses profissionais e, quando vestiam a camisa de sua seleção, estavam representando a pátria.
Por sorte, o povo evoluiu, deixou um pouco de lado a síndrome de vira-latas e parece não ter mais o anseio de mostrar ao mundo que somos o "País do Futebol". Até porque, nossa seleção é composta por brasileiros que, em sua maioria, vivem no exterior, o que rompeu o comprometimento com o povo e a camisa. Fazendo analogia com um jargão futebolístico, se "não existe mais bobo no futebol", também não existe mais bobo no Brasil. Não há mais sentido em se sentir representado pelo futebol. Os atletas vestem a camisa do Brasil por um mês e depois voltam às suas vidas de luxo no exterior, situação muito diferente de quando a seleção perdeu a Copa para o Uruguai, em 1950, no Maracanã, quando havia a ânsia de mostrar ao mundo que o brasileiro tinha valor.
Por tudo isso, é sensato não nos importarmos tanto com o futebol. E nada disso é culpa dos jogadores. Eles cumprem com o seu papel e, com o suor de seu trabalho, oferecem uma vida melhor às suas famílias. E nós, devemos cumprir com o nosso, que é, a cada dia, cobrar soluções para um país melhor. Esse é o Brasil que eu quero!
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