Opinião
Publicada em 12/06/2018 - 23h58min

Difícil de acreditar

Donald Trump e Kim Jong-un, respectivos presidentes dos Estados Unidos e Coreia do Norte, se encontraram anteontem, em Cingapura, para selar um aperto de mão histórico e simbólico. Em pauta estava a desnuclearização da Coreia do Norte, esforços para manter a paz na península coreana e o comprometimento de ambos os países em recuperar e repatriar restos mortais de prisioneiros de guerra.
Em rápida aparição aos jornalistas, o presidente coreano revelou que o "mundo verá uma grande mudança", deixando para trás um passado obscuro e fechado. Por sua vez, Trump destacou que Jong-un "é um homem muito talentoso e que ama o país". Tudo isso deveria merecer aplausos de todo o planeta, como de fato ocorreu, o problema, no entanto, é conseguir acreditar nessas propostas quando justamente Trump e Jong-un estão por trás delas.
Em 1993 o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat (1929-2004), o primeiro ministro de Israel, Yitzhak Rabin (1922-1995), e o então presidente dos
Estados Unidos, Bill Clinton, assinaram um tratado de paz entre a OLP e Israel. Eles são, sem sombra de dúvidas, líderes mais sérios e comprometidos do que Trump e Jong-un. Ainda assim, um ano depois Rabin foi assassinado por um militante ortodoxo judeu, que não aceitava as negociações com os palestinos. Ao assumir o comando do país sionista, Benjamin Netanyahu iniciou a desconstrução do tratado assinado.
Pouco provável que uma reviravolta assim ocorra com Estados Unidos e Coreia, porém, o que pode levar ao fracasso desse acordo é a postura de ambos presidentes. Trump é incoerente, fala de medidas protecionistas para garantir o emprego de seus conterrâneos e depois pede ao G-7, grupo dos países mais ricos do mundo, o fim da taxação entre o comércio entras as nações do bloco. Ou seja, o que ele diz, não se escreve, mesmo que esteja impresso. Já o líder norte-coreano é um mistério, não há nem consenso sobra a data correta do nascimento dele. Difícil acreditar no sucesso desse encontro, mas que sabe.
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