Opinião
Publicada em 11/06/2018 - 23h20min

Revisão urgente

Faz algum tempo que temos a necessidade de repensar alguns conceitos básicos sobre a evolução, ou involução, para ser mais exato, a respeito do andamento da Educação no país. Isso não é novidade e tampouco surpresa para os especialistas do setor.
Um estudo divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que, para cada professor em atuação no primeiro ano do Ensino Médio das escolas públicas no Brasil, há um contingente de 22 alunos.
A pesquisa, intitulada "Políticas Eficazes para Professores: Compreensões do PISA", mostra que dos países associados à OCDE, o Brasil só perde para a Colômbia, com uma média de 27 estudantes por sala. O contraste é imenso. Na China, por exemplo, país com a maior população do planeta, o número é de apenas 12 alunos por professor. O que ocorre, na verdade, é o baixo índice na profissionalização de uma categoria já bem prejudicada.
As universidades formam muitos professores, mas o mercado tem limites para absorver essa massa de docentes. Os órgãos municipais e estaduais, responsáveis pelo ensino público, funcionam com verbas acanhadas, insuficientes para acompanhar o crescimento no número de alunos. Assim, cada vez mais, os professores precisam atender uma quantidade maior de estudantes e o trabalho, que já era árduo, vai se tornando inviável.
Aprofundando a pesquisa, o instituto interpreta os resultados e analisa os seus reflexos no desempenho dos professores. Para a OCDE, é preciso um tratamento mais individualizado dos estudantes, além de indicar a ampliação no tempo para a preparação das aulas, aprimorar a orientação pedagógica e, fundamental, investir no desenvolvimento profissional. Essas medidas, se praticadas, poderiam reduzir o desgaste dos docentes.
Outro registro preocupante no estudo está relacionado com a falta de especialização dos professores. No Brasil, apenas 29% da categoria possuem algum tipo de continuidade na formação, além do ensino superior. A Finlândia, no outro extremo, tem 83% de profissionais especializados. Os dados da pesquisa apontam para a necessidade urgente de uma revisão na política educacional do país.
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