Opinião
Publicada em 11/06/2018 - 23h20min

Afonso Pola

Cinismo

Vivemos em um sistema econômico que é baseado em relações de troca. As coisas que necessitamos para satisfazer nossas necessidades, sejam elas reais ou não, são adquiridas no mercado em troca de dinheiro. E o dinheiro usado para adquirir essas mercadorias nós conseguimos em troca da nossa força de trabalho.
Quanto mais consumo, melhor para o funcionamento do sistema. A queda no consumo significa um sintoma de crise. E o aumento do consumo é motivado por um verdadeiro bombardeio de propagandas que se abate sobre nós incessantemente.
A propaganda é a alma do negócio. Não é o que diz o velho ditado? Pois bem, creio que seria mais apropriado dizer que a propaganda é a alma do consumismo ou mesmo, o negócio da alma. De qualquer forma, é a propaganda que invade cotidianamente as nossas cabeças sempre com a mesma mensagem: compre, consuma, mesmo quando não necessitar.
Essas propagandas estão por todos os lugares. Táxis, ônibus, revistas, jornais e por aí vai. No rádio, na televisão e na Internet, as propagandas ganham vida. Algumas delas são inteligentes e divertidas. Já outras expressam gosto muito duvidoso.
O mundo inteiro está convivendo com o problema da obesidade infantil. Isso é tão sério que a OMS (Organização Mundial da Saúde) faz constantes alertas em relação aos riscos que isso representa para a saúde das nossas crianças. Enquanto isso, produtos direcionados ao público infantil que contribuem para esse quadro deitam e rolam com suas propagandas recheadas de enganações. O pior é que aprendemos a conviver pacificamente com tudo isso.
Para nós brasileiros, que estamos cercados de serviços prestados que não prestam muito, somos um prato cheio para as propagandas enganosas. Contratamos serviços de banda larga que cobram, e muito, por aquilo que não entregam. Somos vitimas de tarifas bancárias exorbitantes. Compramos produtos de fornecedores que reduzem a quantidade vendida para aumentar seus lucros.
É puro cinismo.
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