Cidades
Publicada em 13/06/2018 - 00h01min

Juanribe Pagliarin*

Tudo que eu pedir ao Pai com fé, em nome de Jesus, irei receber?

Foto: Divulgação

Juanribe Pagliarin é teólogo, advogado, publicitário e autor
Mas este sacrifício era incompleto, porque o cordeiro tomava o lugar do pecador somente no derramamento de sangue. O animal jamais poderia substituir o homem como ser humano. Enquanto os cordeiros das Páscoas anteriores, irracionais, nem sabiam porque morriam, Jesus, o mais puro e perfeito de todos os humanos, sem nenhuma mácula na sua reputação, sabe como ninguém o que está prestes a sofrer e por quê.
Também naquela última semana, enquanto caminhava para Jerusalém, Ele disse aos seus discípulos: "Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. E eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, açoitem e o crucifiquem. Mas ao terceiro dia ressuscitará" (Mateus 20:18-19). Aquele momento não o pegou de surpresa. Mas, perfeitamente humano, ele não esconde o seu pavor e angústia. Não tenta passar a imagem de um super-homem ou de um mártir destemido.
Jesus sabe que é chegada a sua hora e sente o peso dessa nossa contradição. Por isso disse: "Agora a minha alma está perturbada. E que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora" (João 12:27). Jesus veio a este mundo para assumir definitivamente o lugar do cordeiro inocente e "aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo" (Hebreus 9:26). Mas aquilo que era plano de Deus agora pode ou não se realizar na prática. Ele não está sendo coagido. Tem o livre-arbítrio e a opção de fazer a sua vontade ou a do Pai. Enquanto vive o conflito íntimo e desesperador de uma decisão particular, que pode decidir o seu próprio futuro e o de bilhões de outras pessoas, Jesus, sozinho no Getsêmani, começa a sentir o peso dos pecados da Humanidade passada, presente e futura.
Neste apelo, após chamar Deus de "Meu Paizinho", o humano Jesus invocou a máxima de que "tudo é possível para Deus". E fez o seu pedido com muita fé: "Afasta de mim este cálice". Enquanto o seu pedido ecoa no Céu, o silêncio do Pai é um claro e terrível indício de que Ele não será atendido: "E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo.
E disse a Pedro:
- Simão, dormes? Então, nem uma hora pudestes vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo:
- Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua.
E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque seus olhos estavam carregados. E disse-lhes:
- Por que estais dormindo?
E não sabiam o que lhe responder.
- Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação". (Jesus sente um profundo vazio e solidão: não está sendo atendido pelo Pai e nem ouvido pelos filhos. Jesus anda de um lado para o outro, e apela mais uma vez).
"Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então lhe apareceu um anjo do Céu, que o confortava. E, posto em agonia, orava mais intensamente:
- Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a Tua vontade.
E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até o chão".
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