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Publicada em 05/05/2018 - 20h54min

Estadão Conteúdo
'Onde Nascem os Fortes'

Supersérie envolve amor e violência

Produção da Globo apresenta uma radiografia do Brasil ao trazer um sertão vivo, em que convivem a poeira e o asfalto, os cavalos e as motos, os celulares e as pick-ups

Foto: Divulgação

"Fortes" nasceu como um desejo de mostrar que a modernidade do Brasil permanece presa ao arcaico, às velhas estruturas
Roteirista de "O Grande Circo Místico", George Moura prepara o black-tie para a montée des marches na gala do longa de Cacá Diegues, realizada no dia 12, em Cannes. Em paralelo ao maior festival do mundo, há duas semanas, outro trabalho de Moura ganhou os holofotes. Cartazes espalhados por todo o Brasil destacam a estreia da supersérie "Onde Nascem os Fortes", e o crédito é de George Moura e José Luiz Villamarim. É o sexto trabalho da dupla, após um belíssimo filme, "Redemoinho", e séries e novelas que recolheram elogios e audiência. "O Canto da Sereia", "Amores Roubados", "O Rebu", "Por Toda a Minha Vida".
"Onde Nascem os Fortes" é uma história original - em termos. "Resolvemos que queríamos voltar ao Nordeste, ao sertão, e o George teceu uma história impregnada de influências. Estão lá Lampião e Maria Bonita, o Conselheiro, Delmiro Gouveia", explica Villamarim. "É um sertão que não é mais aquele da memória, mas vivo, um sertão em que convivem a poeira e o asfalto, os cavalos e as motos, os celulares e as pick-ups. E dentro desse sertão pode-se radiografar o Brasil, a questão do poder e do coronelismo".
Villamarim é mineiro, Moura é pernambucano. Ambos vêm de famílias católicas, estudaram em colégios maristas. Possuem as mesmas referências e influências, as mesmas vivências. "A gente namorava no recreio, na igreja. Havia uma entrada lateral, a nave ficava deserta, escura e a gente ia para o amasso naquele ambiente de excitação e culpa. Então, quando eu escrevo o diálogo para Débora Bloch, como uma mãe que corre como uma oferenda a Deus, rezando pelo restabelecimento da filha, o Villa entende", conta Moura. Para ele, Fortes nasceu como um desejo de mostrar que a modernidade do Brasil permanece presa ao arcaico, às velhas estruturas. Como todo capítulo inicial, o da supersérie é fragmentado, porque tem muitos personagens para apresentar. Mas alguns fragmentos ficam com o espectador.
Uma noite no sertão. Vai se apresentar a Shakira sertaneja. A movimentação é intensa. As motos, os cavalos, os carros. É o emblema desse mundo que os Fortes retrata. "Para mim, é decisivo", diz Villamarim. "É a cena conceitual do começo dos Fortes. Esse mundo em convulsão, transformação, está todo ali, naquela poeira de motos e animais". E Moura - "Eu estava no set naquela noite. Vi nascer o plano que você está falando, e foi emocionante. Estava dentro do carro, vendo aquela movimentação toda. Me deu uma coisa, uma emoção. Cheguei a chorar". Tudo converge, no primeiro capítulo, para o confronto entre os personagens de Marco Pigossi e Alexandre Nero. O garoto arretado peita o poderoso das terras, que joga sobre ele seus capangas. Pigossi apanha, mas reage. Apanha mais. A fala de Nero - "Isso é para você aprender quem manda e é mandado".
De repente, as histórias fragmentadas, cruzadas vão se organizar e fazer sentido. Pigossi vai desaparecer e a irmã, Maria, vai iniciar uma busca mítica por ele. Serão 53 capítulos, quatro vezes por semana - de segunda a sexta-feira, menos quarta, que é dia de futebol. Moura escreve, Villamarim filma. Seja por afinidade, ou o que, um não interfere na atividade do outro. Discutem, trocam ideias, mas Moura não sugere como Villa deve construir a cena e o diretor também não interfere no diálogo. De cara, a dramaturgia subverte o desenho dos personagens. Nero, que se chama Gouveia, como o empreendedor do sertão, é pai dedicado, mas tem amante e faz rebentar de pancada aquele que desafiou sua autoridade. Mocinho, bandido. As coisas vão se complicar.
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