Opinião
Publicada em 15/05/2018 - 00h21min

Questão física

A clássica frase do físico e matemático Isaac Newton (1643-1727), segundo a qual dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo pode ser aplicada, de forma clara e objetiva, em duas reportagens publicadas neste jornal no domingo passado. A primeira trata do aumento da população em Mogi das Cruzes e a segunda aponta o crescimento da frota de veículos em circulação nos municípios do Alto Tietê. No lado oposto ao que mostram as matérias, o espaço físico continua estagnado, não há como ampliá-lo.
Os números são inquestionáveis. Dados levantados por empresários do setor imobiliário dão conta, por exemplo, que 20% das pessoas que estão fixando residência nas cidades do Alto Tietê se estabelecem em Mogi das Cruzes. São, na essência, habitantes que saem dos grandes centros à procura de mais tranquilidade. Enquanto isso, a construção civil não acompanha tal crescimento populacional. Logo, os espaços ficam mais concorridos.
Também o levantamento estatístico do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostra que a região tem hoje 730.509 veículos transitando pelas ruas. Comparado com o índice do ano passado, houve um crescimento de 4,09%. Parece pouco, mas quando se imagina uma população regional em torno de 1,5 milhão de habitantes, significa que, de cada duas pessoas, uma está motorizada. Fica claro que as ruas têm maior ocupação, porém, seguem com as mesmas dimensões físicas.
Colocadas as duas medidas na balança, há um crescimento desigual. A tendência, sem muito esforço e imaginação, é atingir o chamado caos urbano. Se as pessoas estão mudando em busca de melhores condições de habitação e de qualidade de vida, as coisas não estão caminhando no sentido favorável. Neste ritmo de aumento populacional e da frota de veículos, podemos chegar a uma situação insuportável.
O que se pode questionar é quais as alternativas para barrar esta tendência, ou pelo menos seguir um compasso mais equilibrado. O planejamento das cidades deve priorizar as pessoas, para que elas possam ter condições mais dignas de vida, com conforto, segurança e prosperidade.
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