Variedades
Publicada em 14/04/2018 - 23h21min

Gustavo Gomes
Dublagem

Flavio Dias, o dublador de papéis que marcaram época

Em seus mais de 40 anos dedicados à área, o mogiano relata a sua trajetória de sucesso

Flavio Dias D'Oliveira é um mogiano que soube vencer na vida com todo o seu talento,  carisma e espontaneidade. Em seus mais de 40 anos dedicados à dublagem, o artista esteve encarregado em dar voz a diversos personagens que marcaram época no imaginário de muitos brasileiros ao longo dos anos.
Seu nome voltou à tona, depois que, em janeiro deste ano, fez a narração do filme mogiano "A Lenda de Fênix" e agradou a mídia e os fãs de Cavaleiros do Zodíaco. Em contato com o renomado profissional, o Grupo Mogi News vai trazer um pouco da sua história de sucesso. 
Atualmente, D'Oliveira trabalha como diretor de dublagem em uma gravadora de São Paulo, a Dubbing & Mix, sendo encarregado de cuidar e monitorar todas dublagens que o estúdio realiza. Mas, antes de ter uma função como esta, ele trabalhou muito para deixar o seu nome marcado no hall da fama dos dubladores brasileiros.
Entre os anos 1970, 1980 e 1990, ele dublou várias séries e desenhos animados que, mesmo com o passar dos anos, não saiu do imaginário do brasileiro. Quem não se lembra do Barney, um dinossauro roxo e verde que era amigo das crianças e passava todas as manhãs na televisão? O mogiano teve a oportunidade de dublá-lo durante alguns anos.
Mas o personagem que mais marcou a sua carreira foi o cientista Beakman, que desvendava mistérios da ciência com os seus companheiros em "O Mundo de Beakman", que inicialmente foi transmitido pela TV Cultura entre os anos de 1994 e 2002. Ele dublou o personagem nas quatro temporadas do programa e conta que, na época, o carinho dos fãs era imenso. "Muitos me ligavam e mandavam mensagem falando que se tornaram cientistas, físicos e biólogos por causa do personagem. Eu falava que todo o crédito era para o ator Paul Zaloom, que interpretou o personagem. Mas eles falavam que só entendiam o que ele falava porque eu que dublava", contou alegremente.
Outros personagens marcantes da sua história foram o Pernalonga e Patolino em "Looney Tunes"; Malvado em "Ursinhos Carinhos"; Bobi Filho em "Bibo Pai e Bobi Filho", Ray Stantz em "Os Caça - Fantasmas" e muitos outros que nunca apagarão a trajetória desse grande artista.
  • D'Oliveira enumera personagens em séries e desenhos
  • O cientista Beakman, do "Mundo de Beakman", foi o seu papel mais marcante

Um profissional completo

Para ser um grande dublador, primeiramente, a pessoa que deseja ingressar nesta área precisa ser um bom ator. É o caso de Flavio Dias D'Oliveira, que terminou o seu curso de Arte Dramática na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA) em 1975.  
Desde então, ele acumulou diferentes trabalhos como ator de teatro e participações em novelas da Rede Bandeirantes e SBT. "Atuei em 'Um Homem Especial', na Band, na minissérie 'Boca de Lixo', exibida em 1980 na Globo, e, também, fiz várias novelas no SBT, como 'A Ponte de Amor', de 1983, 'Os Ricos Também Choram', de 2005, e 'Uma Rosa com Amor', de 2010", enumerou o artista. 
Mas foi no teatro que o seu talento era notado. Nestes 43 anos de profissão,  ele atuou, dirigiu e fez muitas peças, mas, com a agenda lotada por conta das dublagens, ele não consegue mais voltar aos palcos. "Não consigo mais atuar por causa do tempo. Moro em Mogi e trabalho em São Paulo, não tenho mais disponibilidade para participar de ensaios para subir no palco e mostrar o que eu sei fazer", contou.
Em Mogi das Cruzes, Flavio fundou a Companhia Radiophonica de Theatro em 1989, onde trabalha com três focos: Teatro Corporativo e arte-educação escolar, pesquisa de linguagem teatral e produções de diversos gêneros e estilos.
No entanto, essa companhia surgiu depois de uma peça de teatro produzida pelo mogiano, intitulada "Rádio Marabá ZYI-9", que narrava casos de Mogi das Cruzes com um tom de comédia. Abordava, por exemplo, enchentes, roubos a comércios e outros acontecimentos que ocorriam entre os anos 1960 e 1970. "É uma vida voltada para a arte. Espero que neste mês não  tirem a obrigatoriedade do Documento da Delegacia Regional de Trabalho (DRT) para atores, senão, todo o estudo que tive vai por água abaixo", desabafou, referindo-se à possibilidade da extinção do Registro Profissional para artistas, que será votado no dia 26 de abril no Supremo Tribunal Federal. (G.G.)
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