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Publicada em 14/04/2018 - 23h21min

Estadão Conteúdo
Direção

Murilo Benício vai rodar seu 2º filme

Em paralelo às suas atuações em novelas, séries e no teatro, ator celebra a produção de "Pérola", que é inspirada na peça de Mauro Rasi e conta com a atriz Drica Moraes

Foto: Divulgação/Globo

O ator está aproveitando a sua escalação para as produções mais curtas - que lhe consome menos tempo em relação às longas novelas - para se dedicar ao trabalho como diretor
Ao longo dos últimos 25 anos, a consolidação da carreira do ator Murilo Benício teve o público que assiste à TV como principal testemunha. A estreia foi em um papel menor, em "Fera Ferida" (1993), na Globo, mas, dois anos depois, o ator já interpretava o seu primeiro grande personagem, o vilão Juca Cipó no remake de "Irmãos Coragem". Em 2001, o sucesso de "O Clone", de Gloria Perez, lhe deu projeção. Outro papel importante foi o de Tufão, em "Avenida Brasil", de João Emanuel Carneiro, em 2012. Desde 2014, Murilo tem emendado séries: "Amores Roubados", "Nada Será Como Antes" e "Se Eu Fechar os Olhos Agora", que ele acabou de gravar. 
E o ator está aproveitando sua escalação para esse tipo de produção mais curta - que lhe consome menos tempo em relação às longas novelas - para se dedicar ao trabalho como diretor. Com o fim das gravações de "Se Eu Fechar Os Olhos Agora", ele já se prepara para rodar, a partir do final de maio, o seu segundo filme, "Pérola", inspirado na peça de Mauro Rasi, com a atriz Drica Moraes. "As séries vieram como uma sorte para mim. Desse distanciamento das novelas, ganhei uma carreira de diretor. Foi maravilhoso para mim", diz o ator, de 45 anos. A estreia atrás da câmera foi no filme "O Beijo no Asfalto", com Lázaro Ramos, Débora Falabella e Fernanda Montenegro, que foi exibido na Mostra do ano passado e deve estrear este ano. "Eu tinha os direitos do Beijo há dez anos, comprei do meu bolso, mas não consegui fazer por causa de novela. Aí perdi os direitos." Com essa pausa nas novelas, ele conseguiu retomar o projeto. 
E o que o levou ao texto de Nelson Rodrigues para o que seria seu primeiro filme? Murilo diz que não se lembra, ao certo, do motivo. "A única lembrança que tenho é que meu pai, que lia bastante - ele era um cara muito moderno -, falava de Nelson Rodrigues quando eu era criança. Fiquei com isso na cabeça, e me lembro que, em algum momento que eu li 'O Beijo no Asfalto', me veio um filme na cabeça, eu já sabia como eu ia fazer. O filme é dedicado a ele". A peça, escrita por Nelson em 1960, ainda tem um texto atual. Como a questão do beijo entre dois homens. "Ainda estamos discutindo isso", pondera Murilo. "90% da população acha que isso é uma questão, a gente é uma minoria de achar que isso é banal, infelizmente".
Suspeitos
No novo trabalho na TV, a minissérie "Se Eu Fechar os Olhos Agora", de Ricardo Linhares, Murilo vive Adriano Marques Torres, prefeito da cidade fictícia de São Miguel, no interior do Rio. Com direção artística de Carlos Manga Jr., é inspirada no livro de Edney Silvestre e ainda não tem data definida de estreia. Um misterioso assassinato está no cerne dessa história ambientada no início dos anos 1960. Tudo começa quando dois adolescentes encontram o corpo da jovem Anita (Thainá Duarte) à margem de um lago. Na investigação deflagrada pela dupla, figuras importantes estão entre os suspeitos, como o prefeito Adriano.
E descobrem que ninguém é, de fato, o que aparenta ser. "As cenas que eu tinha em Catas Altas (cidade mineira usada como locação), por exemplo, eram cenas de Instagram. Até hoje a pessoa mostra nas fotos uma vida que não é a vida que ela leva de verdade", compara Murilo. "Esse cara é de um jeito na rua e, de repente, você vê como ele é com a mulher dele no quarto. Você vai descobrindo quem são as pessoas quando tem acesso à intimidade. E você vai ficando mais confuso, porque você fala: ninguém está livre de estar envolvido no assassinato da Anita".
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