Opinião
Publicada em 13/04/2018 - 23h24min

Três baleias na SP-98

A pedra de aproximadamente 200 toneladas que interditava a rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) foi implodida no final da noite de ontem por uma empresa contratada pelo Departamento de Estadas de Rodagem (DER). Com a destruição do obstáculo, a limpeza da via deverá ser acelerada e o trecho liberado mais rapidamente. Até aí tudo bem, o problema é o estrago que uma pedra dessa magnitude pode fazer se acertar qualquer veículo que passar pelo local no momento de um deslizamento.
Por absoluta sorte, nenhum dos quatro deslizamentos que ocorreram neste ano acertou um carro, ônibus, moto, ou qualquer um que passasse pela rodovia, mas essa sorte pode um dia acabar e um obstáculo que comece a rolar da encosta, vai chegar ao chão pesando pelo menos o dobro, graças à aceleração e à gravidade.
Fazendo uma rápida conta, a pedra que rolou na rodovia tem a mesma massa que um trio de baleias-fin, que podem alcançar facilmente os 25 metros de comprimento. Posto isso podemos fazer um exercício simples e imaginar jogar três espécies dessa baleia na Mogi-Bertioga. É possível calcular o estrago que isso faria entre os veículos que trafegam pela pista.
Esse exercício, grosseiro até, parece não ter sido feito pelo governo do Estado. Interditar a pista toda vez que houver um problema e depois liberá-la para a circulação quando ele estiver, teoricamente sanado, não é a melhor solução. A situação fica ainda mais grave quando se leva em conta o fantasmagórico trecho que vai do quilômetro 80 ao 89, palco dos deslizamentos e do acidente que ocorreu há quase dois anos com o ônibus de estudantes que voltava de Mogi das Cruzes, em direção ao Litoral Norte. Na ocasião, 18 pessoas morreram, parte delas no local.
Com todo o respeito que é devido aos estudantes, e o motorista do ônibus que também morreu no acidente, um obstáculo de 200 mil quilos poderia causar uma tragédia de proporções bíblicas. Passou da hora de rever as interdições pontuais na SP-98, em especial nos trechos onde ocorrem os deslizamentos, caso contrário, outra tragédia poderá ocorrer na Mogi-Bertioga.
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