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Publicada em 07/04/2018 - 21h38min

Dérbi

Pela primeira vez no século, Verdão e Timão decidem título

Após vencer rival por 1 a 0 no jogo de ida, Palmeiras precisa do empate para ser campeã estadual após dez anos

Foto: Divulgação

Partida decisiva no estádio Allianz Parque, em São Paulo, com torcida única, será a partir das 16 horas
Reduzido no calendário por ser ano de Copa do Mundo e em queda de importância nos últimos anos pela priorização de outros torneios, o Campeonato Paulista termina hoje de forma apoteótica. A rivalidade centenária entre Palmeiras e Corinthians resgata a importância do dérbi e faz o título ter mais peso por ser conquistado em cima do maior adversário.
A decisão no estádio Allianz Parque, em São Paulo, a partir das 16 horas, tem o Palmeiras com a vantagem. Depois de vencer o rival por 1 a 0 no jogo de ida, na Arena Corinthians, a equipe precisa de um empate para voltar a ser campeã estadual após dez anos. Já o Corinthians precisa da vitória. Em caso de diferença mínima, a decisão irá para os pênaltis.
A importância de uma final entre os dois clubes, a primeira neste século, mexeu bastante com as diretorias. Ambas se organizaram para realizar treinos abertos ontem, em uma espécie de queda de braço pela demonstração de poder. O Palmeiras teve a preferência por ter solicitado formalmente a atividade. Restou ao Corinthians transferir o trabalho para sexta-feira à noite.
A busca dos times por se aproximar do torcedor às vésperas do clássico traduz o clima de expectativa na cidade pelo dérbi. Desde 2003, dois times da capital não se enfrentavam em uma decisão e o último encontro entre Palmeiras e Corinthians em uma final de Paulistão foi em 1999.
O ambiente de ansiedade fez o técnico alviverde, o gaúcho Roger Machado, notar um comportamento diferente da torcida. "A rivalidade tem aumentado, esse dérbi fazia muito tempo que não se disputava em uma final. O peso aumentou. A nossa responsabilidade, também", afirmou.
A equipe dona da casa encerrou a preparação para a partida com um inédito treino aberto no estádio Allianz Parque na manhã de ontem. A arena ficou lotada depois de ser necessário abrir uma carga extra de ingressos para dar conta da demanda.
A única alteração para a final deve ser a entrada de Moisés na vaga de Felipe Melo, suspenso após a expulsão na partida de ida. A promessa de Roger Machado é de atacar o rival e não se acomodar com a vantagem.
O Corinthians usou a semana livre para se preparar e recuperar fisicamente os jogadores. É o caso, por exemplo, de Jadson, que se recuperou de um problema muscular e volta ao time no lugar de Emerson Sheik. O técnico Fábio Carille escolheu Romero para substituir Clayson, suspenso.
Apesar da necessidade de vitória, Fábio Carille nega que vá mandar o time todo para o ataque. "Em clássicos assim, decisões, toda vantagem é importante. Mas é o mínimo, um gol de diferente, a gente não pode se atirar, porque se toma um gol é pior. Não tempos que ir lá para desespero".
Preocupado com a segurança de seus torcedores, o Corinthians não pretende organizar nenhuma celebração caso conquiste o título hoje. A ideia é fazer uma festa na partida contra o Fluminense, no domingo que vem, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, na Arena Corinthians.

Nove jogadores têm passado no rival

Corinthians e Palmeiras fazem um clássico em que alguns dos jogadores que estarão em campo já souberam o que significa defender o outro lado. Os times contam com nove atletas que vestiram a camisa do rival e podem, de alguma forma, entender um pouco o que o adversário sente para a decisão. São os casos de Henrique, Gabriel, Marquinhos Gabriel e Vilson, entre os corintianos, e de Antônio Carlos, Edu Dracena, Bruno Henrique, Willian e Weverton, atualmente palmeirenses.
O clássico, inclusive, deve ter um confronto direto de "vira-casacas": o zagueiro Henrique, que defendeu o Palmeiras em 2008 e entre 2011 e 2014, vai marcar o atacante Willian, que jogou no Corinthians entre 2011 e 2012. Quando estavam em lados opostos, se enfrentaram três vezes, como uma vitória para cada lado (ambas por 2 a 1) e empate por 0 a 0.
Henrique evita falar de seu passado alviverde. Sempre que questionado, muda o assunto. Willian diz que não se incomoda. "A gente sabe que os torcedores têm uma rivalidade muito grande, mas da minha parte sempre houve respeito por onde passei. Então, isso me tranquiliza. O respeito é o que vai nos blindar e fortalecer a nossa atitude".
O palmeirense Antônio Carlos até já fez gols de título para o Corinthians. Ele balançou as redes duas vezes na vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, na decisão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2012. Ficou no time alvinegro até 2014 e saiu sem ter muitas oportunidades.
Gabriel e Bruno Henrique também podem se encontrar durante o jogo. O corintiano defendeu o time alviverde entre 2015 e 2016 e ganhou o respeito por sua dedicação em campo. Saiu pela porta dos fundos, mas passou a ser tratado de outra forma pelos palmeirenses quando chegou ao Corinthians e alfinetou o ex-clube algumas vezes. Companheiro de Bruno Henrique no Corinthians, Edu Dracena reencontrou o colega no Palmeiras. O defensor atuou pelo rival alvinegro em 2015, onde teve passagem discreta até se transferir para a equipe alviverde. O meia Marquinhos Gabriel, que deverá ficar no banco de reservas do Corinthians, defendeu o Palmeiras em 2014, ano de centenário alviverde.
Completam a lista dos ex-rivais, o goleiro Weverton, reserva do Palmeiras e que saiu da base alvinegra, e Vilson, que faz parte do elenco corintiano e teve passagem apagada pelo rival em 2013.

FICHA TÉCNICA



PALMEIRAS x CORINTHIANS

PALMEIRAS - Jailson; Marcos Rocha, Antônio Carlos, Thiago Martins e Victor Luis; Bruno Henrique, Moisés e Lucas Lima; Dudu, Borja e Willian. Técnico: Roger Machado.

CORINTHIANS - Cássio; Fagner, Henrique, Balbuena e Sidcley; Ralf, Maycon, Jadson e Rodriguinho; Mateus Vital e Romero. Técnico: Fábio Carille.

ÁRBITRO - Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza.

HORÁRIO - 16 horas.

LOCAL - Estádio Allianz Parque, em São Paulo (SP).
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