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Publicada em 07/04/2018 - 21h39min

Estadão Conteúdo
Lava Jato

Lula é preso no final da tarde pela Polícia Federal em SP

Ex-presidente passou o dia com militantes petistas no ABC Paulista e depois foi levado pela PF para Curitiba

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Petista ficará preso em uma cela especial da Polícia Federal, longe dos demais
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo, na noite de ontem, para se entregar à Polícia Federal e seguir para a prisão da Lava Jato, cerca de seis horas depois de seu comício. Ele vai iniciar o cumprimento da pena de 12 anos e um mês no caso triplex, determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, em uma 'sala reservada' na sede da PF em Curitiba.
A primeira tentativa de saída do ex-presidente em um carro cor prata - acompanhado de seu advogado Cristiano Zanin Martins - foi marcada por forte tensão. Militantes postados no portão de saída do sindicato impediam o deslocamento do automóvel onde estava o ex-presidente. "Cercar, sentar e não deixar prender", entoavam.
Lula deixou o carro e tornou a entrar no prédio. Às 18h42, saiu a pé para fora do edifício, em meio à multidão que se aglomerava, e percorreu alguns metros até viatura da PF estacionada ali perto. Apesar de Moro ter sugerido ao petista que se apresentasse até às 17 horas desta sexta-feira, Lula não arredou pé do sindicato, onde passou duas noites e fez seu último comício antes do cárcere.
À espera do ex-presidente, a carceragem da Polícia Federal preparou uma sala especial. Moro vetou expressamente o uso de algemas. Lula se entregou após quase dois dias de negociação intensa. A PF aceitou aguardar que ele presenciasse a missa em homenagem a sua mulher Marisa Letícia.
Último discurso
Em seu último discurso antes de se entregar à Justiça, Lula manteve a linha de enfrentamento ao Judiciário e à Imprensa adotada desde que se tornou alvo da Operação Lava Jato. Ao admitir que cumpriria a ordem de prisão, reafirmou que, apesar disso, continua na disputa eleitoral e que vai sair da situação "mais forte, mais verdadeiro e mais inocente".
O Judiciário foi o principal alvo. Lula disse que foi julgado com base na opinião pública e não em provas concretas e, sem citar nomes, fez referência ao voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, defensor da tese de que a Corte tem o papel "representativo" de julgar de acordo com as demandas da sociedade.
"Você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa porque no fundo, no fundo, você destrói as pessoas na sociedade, na imagem das pessoas, e depois o juiz fala: 'Eu não posso ir contra a opinião pública porque a opinião pública está pedindo para cassar'", disse, para completar: "Quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vai ser candidato a deputado. Escolha um partido político e vai ser candidato. Ora, a toga é um emprego vitalício. O cidadão tem de votar apenas com base nos autos do processo. Alias, eu acho que ministro da Suprema Corte não deveria dar declaração de como vai votar. Nos EUA, termina votação você não sabe o que o cidadão votou exatamente para que não seja vítima de pressão", disse o petista.
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