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Publicada em 12/03/2018 - 22h51min

Afonso Pola

Seremos juízes?

Em 31 de agosto de 2006, publiquei um artigo com o título "Panaceia eleitoral". Nele, eu discutia as perspectivas eleitorais pós "mensalão" e "sanguessugas", quando mais de cem parlamentares foram denunciados. Dessa mais de uma centena de parlamentares envolvidos, uma grande maioria conseguiu viabilizar a sua candidatura, apostando na possibilidade de não ser punido pelo voto popular e, assim, obter mais um mandato e as regalias que o mesmo confere, principalmente no âmbito da Justiça. Na quase totalidade dos casos confirmou-se tal expectativa.
Muita gente acreditava que a publicidade em torno das denúncias seria o bastante para que das urnas emergisse um país diferente. Ledo engano. Naquele mesmo momento, o candidato favorito na disputa do governo no Distrito Federal (DF) era um ex-senador que renunciou ao cargo para não ser cassado pelo envolvimento no episódio que ficou conhecido como o "escândalo do painel". Ele ganhou a eleição e durante seu governo, explodiu o chamado "mensalão" do DEM (Democratas) com imagens gravadas de farta distribuição de dinheiro vivo, inclusive com a participação explícita do então governador Arruda. Em 16 de março de 2010 teve o seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF por desfiliação partidária com uma votação apertada de 4 a 3.
Na eleição de 2014 Arruda liderava as pesquisas ao governo do DF. Ou seja, um ex-governador que foi preso e filmado recebendo dinheiro era favorito. Sua candidatura só foi barrada pela Lei da Ficha Limpa, que representou um avanço na luta pela moralização da política e combate ao processo de corrupção.
A história recente do nosso país indica que a praga da corrupção tem sido uma prática recorrente de pessoas ligadas a quase todos os partidos e instâncias políticas. Mensalões (PT, PSDB e do DEM), sanguessuga, Gautama e Petrobras são apenas exemplos. É bom ter uma lei que nos proteja. Mas será melhor quando formos implacáveis no julgamento daqueles que não dignificam o voto recebido, punindo-os na urna.
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