Opinião
Publicada em 13/03/2018 - 22h26min

Sem palavras

O prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) afirmou ontem que é pré-candidato a governador do Estado. O tucano revelou que decidiu pela candidatura porque teria sido escolhido pelo próprio partido, por aclamação, para disputar o pleito que elegerá o novo chefe do Estado. Ao julgar por esse prisma, Doria mostrou que ouve mais a legenda do que o povo que o escolheu prefeito da capital.
Assim, Doria se iguala ao ex-governador, ex-prefeito e atualmente senador por São Paulo, José Serra (PSDB), que chegou até a assinar um documento, em cartório, prometendo que permaneceria à frente da capital paulista, mas acabou deixando o cargo para lançar a candidatura ao governo do Estado e mais tarde à Presidência da República, onde sucumbiu diante de Dilma Rousseff, que venceu a eleição pelo PT em 2010.
Doria não chegou a assinar nenhum papel, o que o colocaria no mesmo patamar de Serra, mas, no passado, quando perguntado sobre uma possível candidatura a presidente, sempre dizia que seu único compromisso era com a cidade de São Paulo, ao menos até o fim do mandato de quatro anos, e que depois não seria candidato à reeleição. Tudo isso porque ele não é político, e sim gestor.
Na verdade Doria enfeitou o pavão e acabou mostrando aos eleitores que é tão político quanto aqueles que ele diz abominar, na maioria petistas. A falta de compromisso que teve com aqueles que depositaram sua confiança nele na hora do voto chega a ser desmoralizante.
No entanto, para ser candidato, o prefeito paulistano não quer disputar as prévias, para isso seu grupo político quer pedir o apoio do governador Geraldo Alkcmin (PSDB) para o auxiliar. Vale lembrar que padrinho e afilhado político não estão mais tão juntos como antigamente, como na época da eleição para a Prefeitura, quando o governador moveu o mundo para manter Doria como candidato. Mas, no frigir dos ovos, não parece que o "João Trabalhador" vai encontrar a mesma facilidade que teve há pouco mais de um ano dentro do próprio partido. Isso sem levar em conta o baixo desempenho que vem tendo como administrador de São Paulo.
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