Opinião
Publicada em 12/03/2018 - 22h50min

Intolerância

Ser tolerante é um desafio contínuo que não termina ao abrir espaço para que todos manifestem suas opiniões e crenças, trata-se de respeitar quando este modo de pensar é diferente, como também a cor da pele e o gênero, aceitando que somos todos diferentes. Superar a rivalidade entre grupos é uma tarefa ainda mais árdua, quando se vê a selvageria das brigas entre torcidas organizadas e se relembra histórias, como o ataque dos skinheads a dois rapazes que terminou com a morte de um deles na estação Braz Cubas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em 2003.
Anteontem um dos três condenados por terem obrigado as vítimas a pularem do trem em movimento, Vinicius Parizatto, foi preso. Ele estava foragido desde que seu último recurso foi negado em dezembro do ano passado. Um caso que chocou Mogi das Cruzes e todo o país. Em sua defesa, os acusados alegaram que os rapazes pularam espontaneamente, o que é difícil acreditar. O que levaria dois jovens a fazer isso? Infelizmente, este é mais um caso de intolerância e violência contra quem tinha uma vestimenta diferente e compartilhava de uma outra ideologia, que não a skinhead, como estavam caracterizados os condenados.
Lá se vão 15 anos e pouca coisa mudou. O ódio continua a ser destilado contra grupos rivais, e as cenas de violência são cada vez mais comuns. E o exemplo não são os conflitos religiosos ou raciais em países distantes, no Brasil, entre tantas situações, há as brigas de torcidas organizadas, onde o ódio é externado em pancadaria, despertado apenas por uma camiseta do time rival. Uma luta por superioridade, por subjugar o outro, que só se justifica dentro de campo, onde o melhor time vence.
A violência não leva a lugar algum, e não há como ser referendada. Rever conceitos é um sinal de evolução da sociedade, mas, ao invés disso, há retrocessos e o desrespeito e, em alguns casos, o ódio ao diferente e à crença de ser melhor do que o outro continua sendo a base que fundamenta a existência de muitos grupos. Precisamos lutar para que a tolerância vença.
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