Cidades
Publicada em 12/03/2018 - 21h15min

Isabella Grisaro*
Especial

Filósofo aponta problemas das notícias falsas, os 'Fake News'

Em entrevista exclusiva ao Gurpo MN, Mário Sergio Cortella falou sobre a velocidade e credibilidade da informação

Foto: Rinaldo Júnior

Cortella: 'Não tínhamos, há até dez anos, a disseminação acelerada da informação com um ar de credibilidade'
As notícias falsas, chamadas "fake news", tem dominado o meio político da região devido às atuais polêmicas em redes sociais. Em relação ao assunto, o filósofo, professor e escritor, Mário Sergio Cortella, concedeu entrevista exclusiva ao Grupo Mogi News, na última sexta-feira, quando comentou sobre a importância de ter cautela com as informações.
"Nós não tínhamos, há até dez anos, a possibilidade da disseminação acelerada da informação com um ar de credibilidade. De maneira geral, para nós, as fontes de informação que tivessem alguma credibilidade, eram aquelas ligadas ao campo da imprensa, dependendo do veículo, escola ou ciência, isto é, todos aqueles que tivessem mecanismo de checagem da veracidade da informação", afirmou o educador.
Cortella acrescentou que hoje em dia as coisas não são da mesma forma, já que qualquer indivíduo pode postar, em nome de terceiros, seja driblando sua identidade ou colocando em um site que o pertence. E, dessa maneira, muitos falsificam as fontes para dar credibilidade ao que é dito.
"Porém ainda há a possibilidade de falsear a informação. Obviamente que nós já tínhamos isso em outros tempos, só que não na dimensão que se tem agora. Antes, aquilo que estaríamos, hoje, chamando de 'fake news' seria um boato falso, em algumas décadas, mas que agora ganha um ar de veracidade".
O filósofo contou que já se deparou com notificações em seu celular, enquanto estava ao vivo, na TV Cultura, e que teve receio em transmitir a notícia ao público assim que a recebeu. "Até algum tempo, eu não teria dificuldade, pois estas informações teriam uma checagem muito mais densa por parte do veículo que a emitiu. Mas hoje, a necessidade da informação instantaneamente faz com que a gente diga bobagem, nós já dizíamos, mas dizemos em larga escala e podemos fazer de modo mais disseminado", reforçou.
Cortella afirmou que, num mundo onde a informação chega na velocidade um click, até mesmo as crianças devem ser orientadas e preparadas para checar se a informação que ela recebeu está correta, ou é falsa. "As crianças e nós, adultos, devemos ser preparados para ter critério de separação daquilo que tem de fato legitimidade, o que dependerá da fonte". O professor aproveitou ainda para exemplificar a afirmação: "Você não acredita em alguém que está na porta de um hospital apenas por estar vestido de branco. É preciso saber se é um médico, médica, ou algum pesquisador de verdade".
O professor concluiu o raciocínio sobre o tema com um antigo ditado: "Se a gente se contentasse com as aparências ninguém comeria repolho, apenas rosas".
* Texto supervisionado pelo editor
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