Opinião
Publicada em 10/03/2018 - 20h07min

José Mauro Jordão

Migalhas de afeição

Infelizmente, o silêncio, o vazio e a brutalidade parecem ser, cada vez mais, uma linguagem universal. Em Atlantic City, Nova Jersey, EUA, no dia 7 de setembro de 1968, realizava-se o concurso de "Miss América" quando ocorreu um protesto público com 400 ativistas do "Womens's Liberation Movement" (WLM), a fim de condenar a exploração comercial do corpo feminino. As ativistas dispuseram no chão do local sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, produtos de maquiagem, revistas femininas, espartilhos, cintas e outros objetos que realçam a beleza feminina. O acontecimento emblemático foi chamado de "Queima de sutiãs"; na realidade, a queima não aconteceu por ser um espaço privado.
Vinicius de Moraes "apagou", de muitos, essa fogueira intencional quem quer destruir a beleza da mulher, ao dar letra à canção bossa nova de Tom Jobim, e a coisa saiu assim; "Olha que coisa mais linda/mais cheia de graça/ É ela menina que vem e que passa/ num doce balanço a caminho do mar".
A mídia escrita e falada publicou notícias deploráveis e escandalosas de assédio sexual, desde Hollywood até dentro dos nossos meios de transporte, que mancharam o tapete vermelho, na noite de gala do Oscar onde, em desfile, as beldades, em vez de modelos atraentes que se ajustam ao corpo feminino, vestiram-se de "luto" num tom fúnebre de velório. São fatos que fizeram o Dia Internacional da Mulher perder o brilho. Disse Deus: "Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma companheira com quem, com alegria, reparta o pão".
Companheirismo, termo que vem do latim, "cum panis", que significa "aquele com quem dividimos o pão". E Deus criou a mulher e desfez de Adão a solidão. Há ambiguidade nesse despertar atraente pelo empoderamento feminino: enriquece o poder de participação social da mulher na busca de ter direitos iguais ao homem; porém, empobrece o interesse do casal pelo lar, onde já não há mais tempo para dividir, juntos, o pão do amor, sobrando aos filhos migalhas de afeição.
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