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Publicada em 03/03/2018 - 21h19min

Estadão Conteúdo
Celebração

Marcelo Serrado estreia monólogo

Após sucesso com o afeminado Crô, ator celebra 30 anos de carreira com a apresentação do espetáculo 'Os vilões de Shakespeare', que destaca as suas habilidades dramáticas

Foto: Guilherme Maia

Serrado estreou no Rio, sob a batuta de Sergio Módena e, após mais de cem apresentações em palcos cariocas, o ator chega a São Paulo para se apresentar no Teatro Eva Herz
Era 2013. Marcelo Serrado encenava Rain Man quando o seu diretor, José Wilker, lhe apresentou um instigante texto inglês, Shakespeare's Villains, monólogo criado em 1998 pelo britânico Steven Berkoff e que apresenta, de forma didática e bem-humorada, os principais malvados das peças do bardo. "Fiquei empolgado com a ideia e com as diversas possibilidades dramáticas", conta Serrado, que pretendia ser novamente comandado por Wilker. A morte do colega em 2014, no entanto, adiou o projeto até o ano passado quando, para comemorar seus 30 anos de carreira profissional, Serrado estreou no Rio, agora sob a batuta de Sergio Módena. Mais de cem apresentações depois em palcos cariocas, o ator chega a São Paulo com "Os Vilões de Shakespeare", em cartaz no Teatro Eva Herz.
Trata-se de uma espécie de conversa informal em que um palestrante apresenta e interpreta grandes personagens shakespearianos marcados pela vilania: Iago (de "Otelo"), Ricardo III, Shylock ("O Mercador de Veneza"), Oberon ("Sonhos de Uma Noite de Verão"), Coriolano, Macbeth e até Hamlet, habitualmente visto como o mocinho. "Mas, obcecado pelo assassinato do pai, ele provoca a morte de várias pessoas em sua busca de vingança", justifica Serrado, que se desdobra em cena para viver cada um com personalidade própria. "É fascinante representar vários vilões, pois todos carregam arquétipos variados: há o dissimulado, o tirano, o vingativo. Por meio deles, Shakespeare mostra as causas e os motivos e também dá uma justificativa, para que possamos compartilhar uma jornada psicológica em vez de simplesmente condenar a maldade".
William Shakespeare é um autor seminal na literatura inglesa e cujo estudo da obra é praticamente obrigatório nas escolas. "É um escritor sacralizado e, portanto, somente aqueles que o conhecem profundamente é que têm o 'direito' de brincar com seus textos. Foi o que fez Berkoff, que tornou o texto shakespeariano mais próximo e interessante do público moderno", observa Sergio Módena, que, para conquistar o mesmo efeito em plateias brasileiras, apostou em uma bem-humorada direção.
Para isso, contou com a preciosa colaboração de um especialista em Shakespeare (já traduziu oito peças), o poeta e dramaturgo Geraldo Carneiro, que, em sua versão do texto, acrescentou situações mais próximas do cotidiano nacional, apresentando não apenas a natureza do mal, como também os pecados do teatro e as vaidades dos atores. É dele, por exemplo, a inclusão de um discurso mais otimista sobre a vilania, presente em "A Tempestade", a última peça escrita pelo bardo.
É o que justifica que, em um determinado momento, Serrado brinque com si mesmo ao interpretar um membro imaginário da equipe e que comenta como o ator evoluiu na carreira ao, finalmente, encenar Shakespeare, uma vez que, até então, era só conhecido como Crô, o afeminado personagem da novela "Fina Estampa", exibido entre 2011 e 2012, que alcançou enorme sucesso.
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