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Publicada em 27/01/2018 - 20h36min

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"Deus Salve o Rei"

Ricardo Pereira e seu novo vilão

Há 15 anos no Brasil, ator conquista mais um papel de destaque como o obcecado Virgílio

Foto: Jorge Rodrigues Jorge

Ricardo gosta de se dedicar nos mínimos detalhes quando se trata da composição de seu personagem; seu principal objetivo é conseguir extravasar as várias facetas de Virgílio
No âmbito profissional, Ricardo Pereira é prolífico. Desde que estabeleceu sua vida no Brasil, há 15 anos, ele não só conquistou protagonistas e papéis de destaque em novelas, como abriu as portas para que outros atores portugueses trabalhassem por aqui. "Como vivo aqui, acabo recebendo e acolhendo os atores portugueses. Acho bacana essa troca cultural. Inclusive, já trabalhei com atores brasileiros em Portugal", recorda. Além disso, Ricardo conseguiu mostrar sua versatilidade ao transitar entre personagens oriundos de sua terra natal, como em sua estreia na Globo em "Como Uma Onda", e tipos sem pátria definida, caso do atual vilão que interpreta na trama das sete, Virgílio. "Estou aqui há tanto tempo que o 'chip' já é automático. Mas tenho de ter cuidado com algumas palavras", reconhece.
Envolvido com as gravações de "Deus Salve O Rei" desde agosto, Ricardo gosta de se dedicar nos mínimos detalhes quando se trata da composição de seu personagem. Seu principal objetivo é conseguir extravasar as várias facetas de Virgílio, que, além de grande vilão da história, tem um forte lado sedutor e sofre quando perde Amália, mocinha de Marina Ruy Barbosa. "Quero que vejam que os olhos dele brilham por essa mulher. Mas também tem um quê de 'American Psycho'", diz, citando o filme dirigido por Mary Harron que serviu como referência.
PopTV - Na história, depois de ser abandonado por Amália, que se apaixona pelo príncipe Afonso (Rômulo Estrela), Virgílio faz de tudo para reconquistar a noiva. Como a vilania do personagem se desenvolve ao longo dos capítulos?
Ricardo Pereira - O autor trabalhou isso com a gente, fizemos uma prévia de trabalho muito grande. O amor de Amália deixa de existir e vira uma coisa obsessiva e doentia, já que ele vai tentar tudo o que for possível para mudar isso. Desde lutar com Afonso, se encontrar com outras mulheres e até se envolver com a melhor amiga da Amália (Fernanda Nobre).
PopTV - Pelo visto, a sedução é um traço marcante na personalidade deste vilão. Como você trabalhou esse lado?
R.P. - Meu personagem utiliza o argumento da palavra para seduzir. Além disso, é um homem que se veste de uma forma diferente, tem um corte de cabelo diferente. Esteticamente, ele é interessante e isso tem a ver com a profissão dele, que é comerciante de tecidos. É um vilão envolvente. É como uma cobra chegando ao seu lugar calmamente, meio que hipnotizando com olhar, com a conversa, mas, em determinado momento,que ele morde. E é uma novela deliciosa de se fazer por isso.
PopTV - O personagem chega a ter algum traço de psicopatia?
R.P. - Ele não é um psicopata. Quando você perde uma coisa na vida, sofre um pouco, mas, nos tempos modernos, as pessoas têm muita coisa. Antigamente, ter uma noiva e perdê-la mudava a credibilidade da pessoa, o respeito dentro da cidade. É por isso que meu personagem se torna obstinado, louco e frenético para recuperar Amália. Mas é para também recuperar um lugar social que ele tinha. É um vilão estrategista.
PopTV - Apesar de ter mais mocinhos no currículo, você já experimentou a vilania em outros papéis. Em relação às possibilidades cênicas, como se sente no posto mais uma vez?
R.P. - Acho que, normalmente, o vilão tem mais camadas, apesar de o mocinho ser difícil de se fazer porque toda a ação circula em volta dele e o personagem é sempre o último a saber e sofre horrores. Mas esse vilão tem uma diversidade. Eu tenho feito outros tipos de personagem no cinema e no teatro. Na televisão, tenho feito alguns vilões, mas realmente precisava fazer mais. E acho que o atual é uma oportunidade para construir um personagem muito mais consistente, de uma outra época e outro lugar, que envolva o público.
PopTV - No Brasil, você já interpretou personagens portugueses e outros sem pátria definida, com sotaque neutro. Você ainda frequenta sessões de fonoaudiologia?
R.P. - Eu trabalho em muitas línguas, por isso faço fono. Acho importante não deixar de trabalhar a voz. Trabalho muito com o mercado francês e espanhol. Tenho de estar constantemente em aperfeiçoamento. É tanta loucura de língua que tenho de pensar antes de começar a usá-la.
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