Editorial
Publicada em 17/01/2018 - 23h15min

Lei do menor esforço

A população de bem, que trabalha e aplica a ética, fica inconformada com o rumo que o Brasil vem tomando. De um lado, temos uma classe política corrompida, sem credibilidade e que mostra claramente estar mais interessada em encher o bolso do que em pensar em soluções públicas para fazer o Brasil sair do buraco. Do outro lado, temos um crime super organizado, com traficantes que enriquecem às custas da venda de drogas e armas. Tudo isso às vistas do nosso complacente poder público.
No meio disso está o povo brasileiro de bem que, com comodismo e a mais pura falta de comprometimento, assiste a tudo. O termo "assiste", infelizmente não significa 'dar apoio' e 'assistência', mas sim 'observar' e 'testemunhar'. Isso gera consequências catastróficas, porque uma sociedade só tem chance de prosperar quando os benfeitores têm a mesma audácia dos corruptos e marginais. Esses dois últimos grupos citados têm uma organização fora do comum, ao contrário da maioria dos homens de bem, que seguem a vida carregando a bandeira da "lei do menor esforço".
Para exemplificar, peguemos o PCC e Comando Vermelho como modelos: crianças começam a trabalhar com 7 anos vendendo droga, com muita disciplina, diga-se de passagem. Isso vai torná-los "mais fortes" do que as crianças da classe média, que passam o dia vidrados no celular. A organização criminosa faz com que o envolvido se fortaleça -
mesmo que de forma errada e cruel -, e a falta dela faz com que a classe média fique cada vez mais fraca. O crime está preparando melhor os seus discípulos do que as famílias de bem. Basta imaginar um confronto entre esses dois grupos. Quem venceria? É a virtude sendo melhor utilizada para o caminho do mau do que para o do bem.
Imagine uma pessoa buscando um atendimento público (existem tantas), e outro cidadão querendo comprar drogas. Que serviço é mais eficiente? Qual atende prontamente o cidadão? Pois bem, é mais fácil e confortável agir pela lei do menor esforço. Mas, essa conta volta alta, e é o Brasil que seguirá, enquanto essa lógica não se inverter, dominado pelos malfeitores.
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