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Publicada em 24/01/2018 - 22h21min

Cedric Darwin

Idolatria

O que assistimos nos dias que antecederam o julgamento do recurso de Lula foram atos explícitos de idolatria ao ex-presidente. Pessoas que se expõe de forma fervorosa em defesa do ex-presidente, com argumentações das mais diversas, desde que não há provas para sua condenação, passando pela perseguição política e na velha polarização do nós contra eles, pobres contra ricos, capital contra miséria, letrados contra analfabetos, nordestinos contra não nordestinos.
Fato é que a situação jurídica do ex-presidente é grave e essa é apenas a primeira de uma série de ações penais as quais responderá, com consequências nefastas para suas pretensões políticas e pessoais. Fato é que ninguém imaginava que um ex-presidente da República pudesse ser condenado no Brasil por corrupção. Mas definitivamente vivemos novos tempos, onde o Ministério Público e o Poder Judiciário não se intimidam com a popularidade ou idolatria que se destina a quem quer que seja.
A celeridade processual é outra surpresa, indicando que o fim do foro privilegiado é uma necessidade urgente. Se todos os políticos fossem processados como Lula foi, por um juiz singular de primeira instância, muitos deles já estariam encarcerados, como por exemplo o antigo aliado político Sérgio Cabral.
Um exemplo negativo de como a prerrogativa de foro atrasa o cumprimento da pena é o caso de Paulo Maluf, preso após seu demorado processo no STF, graças ao foro privilegiado em razão de seus sucessivos mandatos de deputado federal.
Lula é apenas mas um político, como tantos outros, acusado e condenado pelo Poder Judiciário Brasileiro. Um bom sinal de que no Brasil nem mesmo quem é idolatrado está acima da lei. Não foi golpe, não foi perseguição política, foi apenas um processo penal como tantos outros, com provas e condenação em primeira instância confirmada pela segunda.
Ser idolatrado por sua militância não isenta Lula de responder pelos atos que praticou. Nem ele e nem ninguém, não importa o cargo nem o partido. Bem-vindo ao novo Brasil.
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