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Publicada em 17/01/2018 - 23h15min

Cedric Darwin

Que reforma?

O governo federal vê frustrada a sua tentativa de reforma previdenciária. Há rejeição social. O motivo é óbvio, ninguém sabe como será a reforma proposta, só se imagina que haverá redução de direitos e esses ninguém quer perder.
Com a reforma trabalhista foi assim: "modernizar as leis para gerar mais empregos" e o Congresso Nacional imaginou que não haveria cobrança eleitoral, se enganou. Agora não está disposto a repetir o erro, enfiando goela abaixo de quem irá pedir votos, mais redução de direitos. Não porque a reforma seja boa ou ruim, mas para não ver os seus próprios interesses ameaçados, o mais evidente interesse de um parlamentar é sua reeleição.
Se a reforma da previdência é necessária basta provar e convencer todos, ou a maioria disso. Revelar a motivação para quem e como ela será feita é fundamental no Estado Democrático de Direito. Não se impõe mudanças em uma democracia, se discute, negocia e se implanta a vontade da maioria, ainda que essa vontade não seja a melhor ou a mais adequada.
Até hoje apenas o governo federal sabe a real extensão e os efeitos da reforma na vida das pessoas, ninguém mais. Se é necessária como os economistas apontam e se o sistema entrará em colapso em poucos anos, é preciso deixar claro a necessidade, o risco e as alternativas. A previdência não é do governo, mas das pessoas. A gestão é do governo, que nada mais é do que um mandatário do povo, ao menos é o que teoricamente se espera num regime de representação democrática. Mas o que se observa é que os governantes, assim como a humanidade em geral, não se preocupam com o bem comum, mas apenas com o bem próprio.
Quando se diz que o maior problema do Brasil é a corrupção, não se diz outra coisa senão que o maior problema da humanidade é pensar em si própria e não em seu próximo. O fim dos problemas reside em fazer ao outro aquilo que faríamos a nós e isso, certamente, não é o que se pretende com a atual proposta de reforma previdenciária, que na verdade, nem sabemos qual é.
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