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Publicada em 04/11/2017 - 20h21min

Estadão Conteúdo
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Juliana Paes: a heroína do cinema brasileiro

Mal terminou a maratona das gravações da novela "A Força do Querer", atriz ingressou em outro turbilhão com o lançamento de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Jorge Amado

Foto: Divulgação

"Dona Flor" chega no dia 23 aos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro; mais um personagem para destacar o talento da atriz, que é marcada pela intensidade de seus papéis e sua entrega a cada trabalho
Cinéfilos de carteirinha não se esquecem de Juliana Paes em "A Despedida". No longa de Marcelo Galvão, ela faz a amante terna - e fogosa - de Almirante. O personagem, magnificamente criado por Nelson Xavier, é um velho. Diante daquele corpo sublime, o combalido guerreiro não recolhe seu desejo. Juliana é despudorada. Talvez seja sua maior qualidade como atriz. Ela nunca é menos que intensa nas cenas. Há duas semanas, o Brasil inteiro parou para ver o final de "A Força do Querer".
Mal terminou a maratona das gravações da novela de Gloria Perez, Juliana ingressou em outro turbilhão, e foi o lançamento de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", a versão de Pedro Vasconcelos - que, vejam a coincidência, foi o diretor-geral, operacional, de "A Força do Querer". Na última semana, Juliana estava em Salvador. O lançamento tinha de ser na terra de Jorge Amado. "Dona Flor" está sendo lançado, primeiramente, no dia 2, no Nordeste. Dia 8, Juliana desembarca em São Paulo para novos encontros com jornalistas. E dia 23, "Dona Flor" chega aos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Depois de "Gabriela", na TV, Juliana Paes segue na cola de Sônia Braga. Ela brinca: "E daqui a 20 anos, se tudo der certo, vou refazer Aquarius", ri. Por que Sonia Braga? Por que Dona Flor? "Tem a ver com meu physique. Na verdade, esse meu namoro com Dona Flor começou há muito tempo. Fui convidada para fazer a personagem no teatro, mas na época estava comprometida com outro projeto. Quando o Pedro me chamou para o filme, topei logo. Filmamos antes da novela". E Sonia? "Sempre fui fã, não só da atriz. Da mulher. Sonia é encarnação de beleza, de sensualidade. Representa a brasileira melhor que ninguém". E as mulheres de Jorge Amado? "São fogo! Gabriela é bicho selvagem, Dona Flor é o bicho preso no traquejo social. Tem aquela exuberância, mas é reprimida. Tá todo mundo de olho em Flor. Tá todo mundo de olho em mim, nesse jogo das celebridades. E eu estou nessa pressão - como ser livre, como ser eu?".
E ela acrescenta: "Criei muitas personagens às quais emprestei tudo, mas eram elas. Dona Flor tem mais a Juliana. Esse choque entre emoção e razão me pega". Sua falta de pudor é notável nas cenas de cama. O diretor diz que não é preciso nem pedir. "Juliana já é uma mulher de seio empinado". E ela - "Eu me jogo mesmo". Com Bibi foi a mesma coisa. Em nenhum momento ela colocou juízos de valor no que a personagem fazia, vivendo seu amor bandido, indo reinar no morro. "Se fosse julgar a Bibi, eu paralisava. Não ia conseguir fazer". A novela foi o maior sucesso, de público e crítica, da Globo, na faixa das 9, desde "Avenida Brasil". As pessoas a chamavam de 'Bibi!' na rua. "E não eram só adultos. Crianças! Era o que me perturbava. Elas nem deviam estar vendo a novela, mas amavam a Bibi. É muito forte quando uma personagem se instala no imaginário do público".
O repórter observa que "A Força do Querer" foi uma novela de mães. Elizângela, Maria Fernanda Cândido, Zezé Polessa, a própria Bibi. "Concordo totalmente. Acho que a força da novela, inclusive, estava também nessas mães. A Gloria viveu a tragédia que todo mundo sabe, como mãe. Ela conhece essa dor e a coloca nas personagens. O público percebe".
Dona Flor também é forte, mas tem os dois maridos. Vadinho tem suas fraquezas, mas é uma potência sexual e a completa. Juliana e Leandro Hassum, que fazem Flor e Teodoro, sustentam a comparação com Sonia e Mauro Mendonça no filme original de Bruno Barreto.
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