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Publicada em 28/10/2017 - 19h53min

Estadão Conteúdo
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Caetano Veloso em parceria com os filhos

Músico brasileiro faz um balanço de sua vida e carreira em meio à turbulência dos tempos

Foto: Jorge Bispo

Músico segue com os três filhos, Zeca, Tom e Moreno, no Teatro Net, onde faz as últimas sessões neste final de semana do espetáculo "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso"
Aos 75 anos, Caetano Veloso está aberto para balanço em meio à turbulência dos tempos. Seu engajamento tem custado desafetos, como a acusação de prática de pedofilia feita por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo ator Alexandre Frota quando, aos 40 anos, conheceu Paula Lavigne, então com 13, sua atual mulher. Sobre esse assunto, Caetano não respondeu às perguntas enviadas posteriormente a essas abaixo, encaminhadas antes de o caso acontecer. Mas não deixou de mencionar o assunto pedofilia quando falou das mudanças na Lei Rouanet pedidas pela bancada evangélica ao MinC: "Toda essa gente que mente cinicamente sobre exposições de arte usando a palavra pedofilia para angariar adeptos entre os mais ingênuos se esforça para encobrir o desejo de manter a opressão da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econômica do mundo".
Ao mesmo tempo, Caetano segue na cidade com os três filhos, Zeca, Tom e Moreno, no Teatro Net, onde faz as últimas sessões neste final de semana do espetáculo "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso", com ingressos esgotados. E também republica o livro "Verdade Tropical", lançado há 20 anos, com novas reflexões sobre as mudanças do País. 
Estadão Conteúdo: É um bom momento para sentir no palco o que chamam gap geracional. Tom tem 25 anos e Zeca tem 20. Você e sua geração brigavam por causas visíveis, ouviam músicas em LPs e sabiam qual caminho seguir para que as coisas dessem certo. E sobre eles? Não estão perdidos? Não estamos criando uma geração triste?
Caetano Veloso: Sempre me sinto próximo de meus filhos. Tanto do que está na casa dos 40 quanto dos que estão na dos 20. Bem, todos ouvem mais LPs do que eu. Não os considero tristes de jeito nenhum. O mais novo é o mais alegre. Talvez por ser mais novo. Mas acho que é mesmo temperamento: ele sempre foi assim. Mas os outros dois não são tristes. Todos os três têm entusiasmo. Vivem intensamente suas vidas e se entregam muito em suas criações musicais. Gosto de conversar com todos. Moreno narra e explica com muita propriedade. Zeca analisa. Tom faz sínteses.
Estadão Conteúdo - Os homens políticos também são outros, e a tendência das novas gerações é a de que abandonem velhas causas pelo desânimo. O que sente dos garotos?
Caetano - Há descrédito em relação aos políticos profissionais. Mas não uma indiferença pela política. A presença de jovens nas manifestações públicas é grande. Os movimentos à direita que cresceram desde 2013 são exemplo disso. E eles produzem respostas. A polarização é o oposto de uma atitude apolítica. O que há é uma grande tensão na sociedade. Sobretudo entre os jovens. Meus três filhos estão atentos ao que se passa. Falamos sobre isso. E todos têm posições nítidas.
Estadão Conteúdo - O que o fez aceitar atualizar as memórias do livro "Verdade Tropical" 20 anos depois? Se quiser de fato deixá-lo atual, com o mundo em plena transformação como está hoje, esse será um trabalho eterno, não? Você acredita nesta possibilidade com esta nova versão?
Caetano - Sou realmente maluco. Eu não apenas aceitei: eu induzi os editores a fazerem isso. Mas depois eu acabei me enrolando todo. Escrevi uma nova introdução. Não é nada parecido com uma visão coerente do estado do mundo hoje. Nem dá conta dos caminhos que percorreram a música e a cultura brasileira ou mundial nestes 20 anos que separam o lançamento do livro e a atual edição comemorativa. É um apanhado (muito incompleto) de observações sobre o que já fora escrito na versão original do livro e uma exibição sem censura (para não dizer irresponsável) dos pensamentos que me vêm à cabeça hoje em dia. Nada disso tem pinta de eterno. 
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