Editorial
Publicada em 28/10/2017 - 19h53min

Claudia Irente

Conchavo?

A rejeição da Câmara dos Deputados em relação à segunda denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer (PMDB), nesta semana, relativa à acusações de obstrução da Justiça e organização criminosa, foi vista com desconfiança por muitos setores da sociedade, além, é claro, por parte daqueles que queriam o prosseguimento das investigações. 
O Grupo Mogi News ouviu alguns deputados federais com base política no Alto Tietê e apurou que a maioria deles votou a favor do arquivamento da denúncia. A justificativa geral foi que, diante de um cenário de crise político-econômica, a possível substituição de mais um presidente poderia gerar mais transtornos para a situação do país e, consequentemente, para a vida do brasileiro, que tenta se estabilizar pós-escândalos intermináveis descortinados pela Operação Lava Jato. 
O Brasil, de fato, parece carecer de um líder, desde a saída do ex-presidente Lula. Isso porque, apesar das várias acusações às quais ele responde e até da condenação que já obteve, a figura do petista é forte até hoje - fato alardeado nas recentes pesquisas sobre o cenário das próximas eleições presidenciais. Dilma Rousseff, que, diga-se de passagem, elegeu-se devido ao prestígio dele, não foi uma líder carismática e pecou pelo jeito inflexível e pelas falas prolixas, nada objetivas. Virou, muitas vezes, motivo de piada.
Com a saída de Dilma, Temer, que até então estava na obscuridade no cargo de vice-presidente, veio à tona, transferindo, inicialmente, uma "aura" de sobriedade ao governo. Entretanto, foram só as investigações continuarem, para que a "bússola" apontasse seu ponteiro também para Temer.
Entre os deputados entrevistados pelo jornal, um deles disse que defende, sim, o fato de que o presidente da República seja investigado pela denúncia. Contudo, ressaltou que deveria ser a partir do ano que vem, quando Temer não terá mais foro privilegiado. É o que a maioria da população espera, afinal, onde há fumaça, "pode" haver fogo e cabe à polícia e ao Judiciário desmembrarem todas as peças do quebra-cabeça, seja para inocentar ou punir o investigado, na forma da lei.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Video

Mais vistos