Editorial
Publicada em 21/10/2017 - 20h16min

Tiro no pé

Aterrível tragédia com o avião que levava o elenco do time da Chapecoense para a Colômbia, ocorrida em dezembro do ano passado, jamais será esquecida. Foram 71 mortos, entre jogadores, comissão técnica, comissários de bordo, jornalistas, e demais tripulantes. Mas a vida continuou, a diretoria do clube refez rapidamente o plantel, e hoje a equipe é uma das que luta para não ser rebaixada à Série B do Campeonato Brasileiro do ano que vem.
Ainda é estranho acompanhar jogos da Chapecoense pela televisão, principalmente quando a partida é disputada na Arena Condá, em Chapecó. Foi justamente debaixo de uma daquelas traves que o goleiro Danilo, morto no acidente e aspirante à ídolo do time na época, defendeu com o pé a bola cabeceada pelo jogador do San Lorenzo, no final do jogo, que garantiu a equipe na decisão da Copa Sul Americana. Aquela seria a última vez que o time entraria em campo. Depois disso, viria a fatídica viagem para a Colômbia.
Quando há muito dinheiro envolvido, como acontece no futebol, as marcas de uma tragédia podem ser rapidamente empurradas para debaixo do tapete. Um acidente como este merecia um luto mais prolongado. Mas, ao contrário disso, vimos o clube de Chapecó utilizar do marketing sobre o acontecimento.
Com o novo elenco formado em pouco mais de um mês depois da queda do avião, o departamento de marketing tratou de começar a produzir ações em prol do clube. Mas, talvez, não fosse o momento de pensar em títulos, nem em recomposição do elenco. Parece que a oportunidade de fazer dinheiro falou mais alto, e o time, com jogadores totalmente sem identidade com a cidade e o clube, já faziam amistosos contra o Barcelona, no lendário Camp Nou, entre outras ações globais, pouco depois do acidente.
Enquanto isso, familiares dos mortos ainda aguardam pela indenização após a queda do avião. Às vezes, a pressa pode se transformar em um tiro no pé. O silêncio e licenciamento do time por um ano seria a melhor estratégia. O retorno às competições oficiais em 2018 seria, certamente, muito mais glorioso.
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